Leandro Moraes/ Divulgação
Leandro Moraes/ Divulgação

Festival abre retomada de Paulínia

Depois de anunciado seu cancelamento em 2012, Paulínia Film Festival reinicia suas atividades com edição enxuta

Marcelo Miranda/ Paulínia, Especial para O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2013 | 02h06

Interrompido em 2012 pela administração municipal após quatro edições realizadas entre 2008 e 2011, o Festival de Cinema de Paulínia - agora rebatizado de Paulínia Film Festival - reiniciou oficialmente suas atividades no último dia 11, em edição enxuta, estendendo-se até a noite de sábado passado. Entre debates, workshops e exibição de filmes, a palavra-chave era "retomada", utilizada inclusive como espécie de subtítulo no nome do evento e espalhada por todos os cantos do polo cinematográfico, resultado de projeto criado em 2006 ao custo de R$ 490 milhões.

Para marcar o que a secretária de Cultura, Monica Trigo, chamou de "rito de passagem", foram homenageados diversos profissionais do audiovisual que participaram do festival em edições anteriores. Também se confirmaram a reimplantação da Escola Magia de Cinema, para capacitação de mão de obra; a liberação dos estúdios do polo a novos projetos de filmagens; e a realização de uma edição internacional do festival de cinema, prevista para julho do ano que vem, depois da Copa do Mundo e com curadoria do crítico Rubens Ewald Filho e da produtora Tatiana Quintella, ex-secretária de Cultura da cidade.

Mantendo a pompa característica, com direito a tapete vermelho e rostos conhecidos da TV no papel de mestres de cerimônia no Theatro Municipal Paulo Gracindo, o festival "retomado" exibiu cinco longas-metragens fora de competição - entre eles, o inédito Confia em Mim, de Michel Tikhomiroff. O workshop promovido nas tardes do evento com produtores e profissionais brasileiros e estrangeiros atraiu estudantes e interessados em saber sobre coprodução internacional, realização de séries de TV e evolução das técnicas de efeitos especiais.

Entre várias ações em andamento, a secretaria de Cultura está de olho nas possibilidades da lei federal 12.485/2011, a Lei da TV Paga, que exige exibição de conteúdo brasileiro em canais por assinatura. Com estúdios, escola, equipamento e escritório de captação de recursos, o polo quer se tornar um espaço atrativo para que as produtoras independentes escolham Paulínia como centro de suas realizações. "A previsão é de que o país vai ter necessidade de 2.500 horas ao ano de material brasileiro independente na televisão", frisou o produtor Fabiano Gullane num dos bate-papos.

Idas e vindas. A decisão de cancelar o festival e as ações do polo de cinema de Paulínia foi anunciada em abril de 2012 pelo então prefeito José Pavan Junior (PSB). Em julho deste ano, porém, ele perdeu o mandato para o ex-aliado Edson Moura Junior (PMDB), após imbróglio eleitoral que se arrastava desde as eleições do ano passado. Para tentar diminuir o mal-estar provocado por toda a confusão - especialmente depois da reação negativa da classe cinematográfica ao fim do festival e a assinatura de 79 nomes e entidades num manifesto de apoio à manutenção do projeto -, a prefeitura firmou, em setembro, um acordo de cooperação federativa junto ao MinC e se integrou ao SNC (Sistema Nacional de Cultura). "A iniciativa estabelece o compromisso com as políticas públicas previstas para a cidade e garante que tudo será cumprido", afirma a secretária Monica Trigo. Ela aguarda para os próximos dias que uma proposta de R$ 20 milhões encaminhada à Câmara de Vereadores seja aprovada. O montante deve ser destinado a editais nas áreas de audiovisual, dança, teatro e políticas afirmativas.

O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO PAULÍNIA FILM FESTIVAL

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