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Festivais italianos levam cinema de volta às cidades pequenas

Organizador afirmou que a ideia é revigorar a experiência do cinema, que desapareceu das menores cidades com o advento da televisão

James Mackenzie, REUTERS

15 de agosto de 2011 | 16h03

CASACALENDA, Itália (Reuters) - Em uma noite de verão no sul da Itália, uma multidão senta na praça de uma cidadezinha, enquanto as imagens passam pela tela de cinema a poucos metros de uma igreja barroca.

Poderia ser uma cena de Cinema Paradiso, a elegia de 1988 feita por Giuseppe Tornatore aos cinemas provincianos de sua juventude, que vêm desaparecendo diante do avanço da televisão.

No entanto, isso é parte de um festival destinado a tentar levar o cinema de volta a locais como Casacalenda, um vilarejo de cerca de 2.500 habitantes em Molise, na região sul da parte leste da Itália, onde as salas de exibição agora são uma raridade.

"Há até 30 ou 40 anos, cada cidadezinha italiana tinha seu próprio cinema, que gradualmente foi desaparecendo com o advento da televisão e esse tipo de mudança cultural", disse Federico Pommier, diretor do festival MoliseCinema.

"A ideia do festival é tentar trazer de volta a experiência do cinema a esse tipo de cidadezinha."

Uma rede de festivais menores parecidos cresceu por toda a Itália nos últimos anos, desde Bergamo, no norte, a Marzamemi, na Sicília, buscando fortalecer as raízes do cinema fora das grandes cidades.

"Em toda Molise, há apenas dois ou três cinemas e é muito difícil para as pessoas que moram nesses lugares, não apenas em Casacalenda, mas em todos os outros vilarejos próximos, conseguir ver filmes na telona", disse Pommier.

Uma onda recente de medidas de austeridade do governo absorveu parte do orçamento de festivais como o MoliseCinema, mas não há dúvida de sua popularidade em Casacalenda, onde quase todos do vilarejo parecem ter saído para ir ao cinema.

O cinema italiano tem registrado um certo revival nos últimos anos, com diretores como Paolo Sorrentino, Nanni Moretti ou Matteo Garrone fazendo filmes que conseguiram sair da sombra de mestres do passado como Federico Fellini ou Luchino Visconti.

O festival de Molise inaugurou a semana de exibições este ano com uma restauração magnífica de Il Gattopardo (O Leopardo), a obra-prima de Visconti, de 1963, que se passa na Sicília durante a unificação da Itália há 150 anos.

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