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Festival de cinema Fest Aruanda tem início com o filme 'Axé, Canto de um Povo de um Lugar'

Documentário sobre a música baiana será visto na noite de abertura da 11ª edição da mostra realizada na Paraíba

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2016 | 03h00

Com o documentário baiano Axé, Canto de um Povo de um Lugar, de Chico Kertész, começa hoje, 8, à noite, em João Pessoa, a 11.ª edição do Festival Aruanda do Audiovisual Brasileiro. Axé será apresentado fora de concurso. Disputa de prêmios, para valer, só a partir de amanhã. 

Na grade de programação preparada pela equipe do festival, pinta como forte concorrente Era o Hotel Cambridge, da paulistana Eliane Caffé. O filme mistura linguagens de documentário e ficção para registrar a ocupação de um imóvel abandonado em São Paulo por um grupo de sem-teto. Tem pulsão política e qualidade cinematográfica. 

Mais duas diretoras apresentam seus filmes em concurso: Leandra Leal com Divinas Divas, e Emília Silveira, com Silêncio no Estúdio. Leandra, muito conhecida como atriz, estreia como cineasta com esse estudo sobre travestis que se apresentam no palco e cultivam a arte (curioso, adota temática parecida com o ótimo filme cubano em cartaz, Viva). Emília elege como personagem a escritora e apresentadora de TV Edna Savaget (1928-1998), que dirigia sua atenção ao público feminino. 

Num momento em que a questão do feminino se coloca com muita força, o Aruanda programa três filmes de diretoras em sua mostra competitiva principal. Os outros concorrentes são Vermelho Russo, de Charly Braun, Deserto, de Guilherme Weber, Canastra Suja, de Caio Sóh, e Fica Mais Escuro Antes do Amanhecer, de Thiago Luciano.

Este ano, o Aruanda inova e amplia seu alcance. Além da mostra nacional, programou a mostra Sob o Céu Nordestino, com filmes ambientados na região. A curiosidade é que dois cineastas concorrem nas duas mostras. Emília Silveira leva seu Silêncio do Estúdio para a mostra nacional e Galeria F. para a Mostra Sob o Céu nordestino. Caio Sóh concorre com Canastra Suja na primeira e com Por Trás do Céu na segunda. 

A mostra Sob o Céu Nordestino é completada por Pedro Osmar: Pra Liberdade Que se Conquista,de Consonni & Marques (PB), O Crime da Cabra,de Ariane Porto (SP), e Cícero Dias, o Compadre de Picasso, de Vladimir Carvalho (DF). 

Serão portanto 12 longas em competição, sendo sete na mostra nacional e cinco na mostra Sob o Céu do Nordeste. Além deles, há os 12 curtas em competição e outros, no mesmo formato, da TV Universitária. O festival se adensa, se amplia, as sessões ficam mais longas. Segue a tendência de outros eventos do gênero ao preencher todas as horas do dia com atividades variadas. As sessões, com a ampliação, devem rolar até mais tarde. No dia seguinte, logo às 9h30, começam os debates dos filmes da véspera, atividade fundamental dos festivais, prejudicada pelo excesso de atividades. 

Além dos filmes em si, e dos debates, estão previstas mesas-redondas sobre o cinema e homenagens a personalidades locais. O homenageado de 2016 é o crítico e escritor Willis Leal, que completa seus 80 anos. In memoriam, serão homenageados também Péricles Leal (1930-1999), teledramaturgo e criador do primeiro herói brasileiro em HQ, o Falcão Negro, e o cineasta e montador Manfredo Caldas (1947-2016). O repórter e cineasta pernambucano Geneton Moraes Neto (1956-2016) também será lembrado. 

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