Fernando Solanas ganha Urso de Ouro honorário

Fernando Solanas entrou nesta terça-feira para a galeria de celebridades do cinema mundial homenageados pelo conjunto da obra no Festival de Berlim. O cineasta argentino recebeu um Urso de Ouro honorário na sessão de gala de seu filme mais recente, o documentário Memoria del Saqueo, sobre os mecanismos que levaram a Argentina a mergulhar em uma crise sem precedentes na sua história. Chamado pela imprensa alemã de "panfletário", Solanas respondeu durante uma entrevista coletiva concedida no Grand Hyatt, na Marlene Dietrich Platz, que se sente "orgulhoso de fazer panfletos estéticos com algum esforço para trazudir temas e imagens que são constantemente banalizados pela mídia".Memoria del Saqueo não apenas investiga as razões pelas quais a Argentina mergulhou na pior crise de sua história. Por meio do filme, Solanas também aponta os principais responsáveis por ela. Segundo o diretor, as altas dívidas, o ultraliberalismo, a corrupção e a privatização indiscriminada foram resultado de uma política de terra arrasada empregada por Carlos Menem e seus asseclas, com a ajuda de empresas multinacionais ocidentais e a cumplicidade de organizações internacionais. O cineasta anunciou que já está produzindo uma seqüência, Argentina Latente, sobre o esforço de superação da crise. Durante a coletiva, Solanas defendeu o atual presidente argentino, Néstor Kirchner, dizendo que ele superou as expectativas. "Cerca de 85% das pessoas acompanham o que o governo está fazendo", disse o diretor. "O presidente fez progresso na justiça, na investigação de delitos pessoais e dos cometidos pelo Estado. Realizou mais em poucos meses do que havia prometido durante sua campanha. Afinal, temos que considerar que está lidando com 15 anos de catástrofes constantes."Sempre inflamado, Solanas falou inclusive de política externa e do papel da Europa na geopolítica mundial. "Tenho falado aos meus amigos espanhóis e italianos que estou impressionado", confessou o argentino. "Não consigo entender como países como a Itália e a Espanha, que passaram por momentos terríveis em suas histórias, consigam eleger e defender gente como Berlusconi e Aznar, responsáveis pelo apoio à invasão do Iraque pelos americanos."Veja galeria de fotos

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