Fernando Meirelles comemora indicações ao Oscar

"Não irei à cerimônia. Vou torcer daqui com os números dos celulares dos amigos indicados na mão. Não ter de viajar mais uma vez será meu prêmio de consolação", brincou Fernando Meirelles ao Estado, ao saber das indicações para o Oscar. O diretor pode, merecidamente, levar como prêmio a impecável carreira que O Jardineiro Fiel desempenha em todo mundo. Projeto que inicialmente tomaria seis meses da vida do diretor, o longa já consome dois anos e conquista prêmios e indicações nos mais prestigiados eleitorados do mundo cinematográfico. O brasileiro, que está no interior de São Paulo "achando ótimo estar com tempo livre", não se surpreendeu com as nomeações para Rachel Weisz (atriz coadjuvante), Claire Simpson (montagem) e Jeffrey Caine (roteiro adaptado). A atriz britânica que, por sua atuação como militante que é morta ao investigar o uso de cobaias humanas por uma indústria farmacêutica na África, já recebeu o Globo de Ouro de coadjuvante (drama) e foi eleita melhor atriz pelo sindicato dos atores da América no domingo, já era apontada como favorita a uma vaga no Oscar. "Como havia dito, as três nomeações (Rachel, Claire e Jeffrey) eram esperadas. Alberto Iglesias (indicado para melhor trilha sonora) foi a boa surpresa. É um camarada adorável, estou muito feliz por ele", declarou. Meirelles já fez suas apostas para o dia 5 de março, quando serão entregues as estatuetas. "Rachel é a favorita em sua categoria. Montagem tem chances de levar. Os outros prêmios são muito difíceis", declarou ele que, realista, não esperava ser lembrado. "Nos sites de Oscar Predictions, eu sempre aparecia entre os oito ou nove, mas raramente entre os cinco finalistas. Eles costumam acertar." Nem por isso, não ser nomeado tira a satisfação de Meirelles. "Mesmo assim, estou muito feliz. Um filme que fiz como experiência, meio de sopetão, que não fazia parte dos meus planos, ter chegado a quatro indicações é mais do que bom", declarou ele que, em 2004, foi indicado para o Oscar de melhor diretor por Cidade de Deus, que havia entrado na disputa a uma vaga de melhor filme estrangeiro em 2003 e ficou de fora, rendendo críticas ferrenhas e configurando-se como uma grande injustiça. No ano seguinte, a Miramax, comandada por Harvey Weinstein, foi à forra e entrou em campanha para colocar Cidade de Deus entre os melhores de 2004. Mesmo sem as tradicionais ações de marketing e sem a participação de Meirelles, que já trabalhava em novo projeto, justamente O Jardineiro Fiel, o filme recebeu (além de melhor diretor) outras três indicações para melhor montagem, fotografia e roteiro adaptado. Não levou nenhum prêmio, mas deixou, naturalmente, Meirelles e sua equipe satisfeitos. Mais uma vez, um trabalho comandado por Meirelles surpreende. O Jardineiro Fiel entrou para a vida do diretor por acaso. O brasileiro, após uma recepção calorosa no Festival de Cannes de 2003, começou a receber projetos e a recusá-los, pois planejava filmar outro projeto pessoal, Intolerância. Voltou ao Brasil e trabalhou no roteiro. Mas não estava satisfeito. Foi quando novamente seu agente entrou em contato com o produtor Simon Channing-Williams, que já estava preparado para as filmagens de O Jardineiro Fiel (seria dirigido por Mike Newell, que deixou o projeto após ter sido convidado para dirigir Harry Potter). "O elenco não estava definido, mas o financiamento e os produtores estavam a postos. Eles me disseram: ´Temos o dinheiro e o roteiro e, em seis meses, você estará livre.´ Eu disse: por que não?", declarou Meirelles ao Los Angeles Times há uma semana, em uma entrevista que apontava o longa como um caso raro que conquistou tanto e sem fazer barulho, dando a receita de "como ter um Oscar sem estresse". Na semana passada, O Jardineiro Fiel, uma produção da Grã-Bretanha, Quênia e Alemanha inspirada no romance de John Le Carré, bateu o favoritíssimo ao Oscar O Segredo de Brokeback Mountain nas indicações para o Bafta (O Oscar britânico), que será entregue no dia 19. O filme dirigido por Meirelles levou dez indicações (incluindo filme e diretor) ante nove de Ang Lee.

Agencia Estado,

01 de fevereiro de 2006 | 10h59

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