Fernando Meirelles abre Festival de Cannes em grande estilo

Diretor brasileiro e sua equipe foram recebidos com mais de 5 minutos de aplausos após exibição de 'Blindness'

Flávia Guerra, enviada especial a Cannes,

08 de maio de 2014 | 17h38

O diretor brasileiro Fernando Meirelles e sua equipe foram recebidos com mais de cinco minutos de aplausos, logo após a exibição de Blindness na sessão de abertura do 61.º Festival de Cannes, nesta quarta-feira, 14.   Veja também: Veja galeria de fotos do dia-a-dia do Festival  Acompanhe a cobertura no blog do Merten   Confira os filmes da competição principal em Cannes 2008   Teste seus conhecimentos sobre o Festival de Cannes    Antes, em uma sessão exclusiva para a imprensa, o filme foi recebido com silêncio. Nesta mesma noite, Blindness foi exibido para os jurados e o público em geral. Desta vez, foi aplaudido. Meirelles, a atriz norte-americana Julianne Moore, a brasileira Alice Braga, o ator mexicano Gael García Bernal e os demais membros do elenco abriram o evento em grande estilo.   Sean Penn, presidente do júri do festival este ano, disse na coletiva de imprensa, pouco antes de começar a cerimônia que "a tarefa de ser jurado é muito difícil. Temos longos dias de trabalho por aí, mas já adianto, não é porque temos amigos concorrendo que isso vai facilitar algum prêmio. Se o filme for bom, merece ser destacado. Se não, não".   Apesar de não ter provocado palmas calorosas logo após o término da sessão desta manhã, Blindness foi bem recebido pela imprensa internacional. "Este filme provoca mesmo estranhamento. Em todas as pré-sessões que fizemos até agora, todo mundo saiu um pouco calado e refletindo", comentaram as produtoras Bel Berlinck e Andrea Barata Ribeiro. Para Julianne Moore, este também é um filme que a deixou muito feliz, por ser um caso raro de produção realmente internacional. "Só tinham três americanos na equipe: eu, o Mark Rufallo e o Denny Glover. O resto era brasileiro, mexicano, japonês, canadense, era uma produção global de verdade. Essa é uma tendência que só vai aumentar", disse a atriz, que no filme é a mulher do médico interpretado por Rufallo, a única que não fica cega.   "Este é o meu modelo de cinema ideal. Cada vez mais quero fazer produções assim", afirmou Meirelles. Há grande expectativa por Blindness. O romance do escritor português José Saramago usa a cegueira para tecer uma metáfora sobre o mundo que se recusa a ver a loucura e o caos em que o consumismo e a degradação do meio ambiente estão nos atirando, com conseqüências seríssimas para o futuro da humanidade. É outra espécie de violência, distinta daquela que Fernando Meirelles enfocou em Cidade de Deus, com o qual pisou pela primeira vez no tapete de Cannes.   Visualmente, o filme vai surpreender, pois o diretor e seu grande fotógrafo, César Charlone, se valeram da cegueira branca descrita pelo autor do Prêmio Nobel de Literatura para fazer o contrário do que se espera de um filme sobre a cegueira - em vez de áreas de sombras, eles criam imagens saturadas de luz.   O Brasil chega a Cannes com força total. Além de Linha de Passe, que compete pela bandeira do Brasil, a seleção oficial exibe também A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele, na mostra Um Certo Olhar e mais algumas atrações que não deverão passar em branco. O documentário O Mistério do Samba, de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, foi selecionado para a mostra Cinéma à la Plage, que apresenta filmes à noite, ao ar livre, na praia colada ao calçadão conhecido como ''Croisette'', e os curtas Areia, de Caetano Gotardo, e A Espera, de Fernanda Teixeira, integram a programação de outra mostra, a da Semana da Crítica. Um terceiro curta, Muro, de Tião, Leonardo Lacca e Raul Luna, foi selecionado para a Quinzena dos Realizadores e mais um - o quarto - O Som e o Resto, de André Lavaquial, da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, do Rio, compete na mostra da Cinéfondation.   (Com Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo)

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