Fernanda Porto fecha festival de Miami

Fernanda Porto realiza hoje o show de encerramento do 7.º Festival do Cinema Brasileiro. Definida como a nova sensação da música brasileira, misturando bossa nova e eletrônica, Fernanda - cujo cabelo ruivo, quase vermelho, evoca a atriz fordiana Maureen O´Hara, do clássico Depois do Vendaval - sobe esta noite ao palco do Lincoln Theatre, sede do evento, para apresentar-se com tambores japoneses. Big japanese drums, vem anunciando, desde quarta-feira, o apresentador dos filmes que integram a mostra competitiva do 7th Brazilian Film Festival, iniciada justamente naquele dia e encerrada ontem à noite.Foram exibidos oito longas e seis curtas. O preferido, no segundo formato, talvez seja No Passo da Véia, de Jane Malaquias, muito aplaudido na sessão oficial e, desde então, assunto em todas as conversas.A intérprete do papel, Dona Nenén, virou a personagem mais querida do festival. No filme, ela caminha da colônia de pescadores onde mora até a cidade mais próxima. Leva uma galinha que vende para comprar um presente, um perfume, para o neto aniversariante. Antes de dar-lhe o presente, a véia canta para ele um repente que fala de amor. "Que lindo, vó!", ele exclama. Entra na trilha Lia de Itamaracá, aquela que tem distribuídos pelo Brasil as suas cirandas. É realmente encantador e feito com a maior simplicidade. Se No Passo da Véia ganhar alguma coisa, será um prêmio à brasilidade, com certeza.Entre os longas da competição, é mais difícil arriscar uma previsão. Se o júri apostar na ousadia, pode ser que Amarelo Manga leve o prêmio principal, a Lente de Cristal. O diretor Cláudio Assis fez um filme que beira o escatológico para falar de personagens marginalizados no Grande Recife. Uma cena no matadouro fornece a metáfora perfeita de Amarelo Manga. O boi é sacrificado numa cena brutal. Os personagens de Assis não são abatidos daquela maneira, mas as relações afetivas e sexuais entre eles aponta para um sacrifício parecido, senão idêntico.Todo mundo acha que Murilo Benício leva o prêmio de melhor ator, um pouco porque ele está bem, mas também porque está presente na Flórida, acompanhando o filme de José Henrique Fonseca, O Homem do Ano. Pelo mesmo raciocínio, Cláudia Abreu também pode levar o prêmio de melhor atriz, por O Homem do Ano. Ela acompanha o marido, o cineasta José Henrique, aqui em Miami. Se a presença for um requisito importante, Ary França também tem chance. E o ator de Durval Discos fez aniversário ontem, com direito a ´parabéns a você´ e bolinho improvisando no restaurante Spiga, na Collins Avenue, onde se come a melhor comida italiana da cidade.Luiz Carlos Lacerda encerrou a mostra competitiva ontem à noite com Viva Sapato! No palco do Lincoln Theatre, ele disse que rodou alguns planos de sua comédia clandestinamente, em Cuba. Explicou-se dizendo que a ditadura (cubana) não tem humor. Foi muito aplaudido pelos amigos (cubanos) que levou para a sessão. Lacerda também pediu ao público que não se esquecesse de votar no fim da sessão. Acrescentou uma farpa: "Os cubanos podem exercitar aqui esse direito." Paula Burlamaqui, que resolveu esconder o corpo usando um casaco ´prussiano´, definiu Viva Sapato! como um filme de amor. Entre homens e mulheres - poderia dizer entre homens e homens -, mas principalmente entre cubanos e brasileiros. Existem cerca de 750 mil cubanos aqui em Miami. Os brasileiros somam algo em torno de 400 mil. Num mercado assim, a alegria de Viva Sapato! tem toda chance de achar seu público-alvo.

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