Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Fernanda Montenegro recebe homenagens neste domingo em São Paulo

Programação da 43.ª Mostra Internacional de Cinema, leitura dramática de Nelson Rodrigues e exibição de 'Central do Brasil' prestam tributo aos 90 anos da atriz

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2019 | 03h00

Será um domingo intenso para Fernanda Montenegro, em São Paulo. Às 16h, ela participa de uma leitura dramática de Nelson Rodrigues, no Teatro Municipal. Às 16h30, comemorando os 26 anos do Espaço Itaú de Cinema, haverá sessão especial de Central do Brasil, de Walter Salles, em versão restaurada. A expectativa é de que Fernanda consiga dar uma passadinha pelo local. 

Grande dama da arte da representação no País, Fernanda completa 90 anos no dia 16. É a primeira a admirar-se: “90 anos! Não é todo dia que a gente comemora estar chegando longe assim”. Apesar dos percalços, como haver sido chamada de ‘sórdida’ pelo diretor da Funarte, Roberto Alvim – a categoria reagiu, solidária com ela –, a atriz, em conversa com o repórter, fez uma observação das mais pertinentes.

“Até por força desse carinho que estou recebendo, o livro com minha autobiografia, as leituras dramáticas, a retrospectiva no Canal Brasil, tenho parado para refletir sobre o tanto que fiz. Fiquei impressionada com a quantidade de filmes. São muitos. Mas o que me levou ao cinema foi o teatro.” Atriz de rádio, teatro, cinema e TV. A estreia foi com Nelson Rodrigues, numa adaptação de Leon Hirszman. Zulmira, A Falecida.

“Glauber Rocha me convidou para fazer Terra em Transe, mas estava escrito que ele faria o filme, genialmente, com a Glauce (Rocha). Terminei fazendo Nelson, o pornógrafo, com o Leon, que era do Partidão. Era um set todo de esquerda para honrar o Nelson, que era de direita. Acho que a grande diferença desses tempos sombrios que vivemos está no moralismo, que hoje é muito maior. Um moralismo que nos está sendo imposto, à força.” 

Fernanda filmou muito, como diz, mas guarda um carinho especial por certos filmes – A Falecida, Central, Casa de Areia. O último fez com a filha, Fernanda Torres, dirigidas pelo genro e marido, Andrucha Waddington. “No Brasil, sumiu, mas no exterior foi consagrado pela crítica. Talvez seja o filme mais brasileiro de todos, o que mais nos reflete. Aquelas duas mulheres num areal imenso. A casa construída na areia, sem fundações. O Brasil parece assim. Sempre recomeçando, uma nova casa na areia. O que esse país precisa é de fundações. Infraestrutura, educação, saúde. Quando essa gente vai descobrir que a cultura é um bem comum?”

Na terça e quarta, na retrospectiva do Canal Brasil, passam, na faixa das 22h, O Tempo e o Vento e Traição. “Erico Verissimo é um monumento literário e o filme (de Jayme Monjardim) honra o grande escritor.” Traição, outro Nelson (Rodrigues), outro Andrucha, outra vez Fernanda Torres. Como é trabalhar com a filha? “Não sei se é deformação nossa. Não tem essa de mãe e filha. Somos atrizes. O que há é uma troca de experiência de duas mulheres, e profissionais.”

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