Fernanda Montenegro ganha prêmio de atriz no Emmy Internacional por atuação em ‘Doce de Mãe’

Segundo o diretor Jorge Furtado, o papel feito sob medida para a atriz

João Fernando, O Estado de S. Paulo

26 de novembro de 2013 | 19h38

Os troféus na prateleira do apartamento de Fernanda Montenegro vão ficar mais apertados quando ela chegar ao Rio, na manhã de hoje. Aos 84 anos, ela venceu o prêmio de melhor atriz no 41.º Emmy Internacional, o Oscar da televisão norte-americana, que laureia produções estrangeiras. Pelo papel em Doce de Mãe, especial exibido no ano passado e que entrará na grade de séries da Globo em 2014, a carioca derrotou candidatas do Reino Unido, Suécia e China.

“Eu me achava fora do páreo, vim tranquila. Estou muito emocionada e admito agora que fiquei nervosa. Não imaginava ganhar esse prêmio. Nós trabalhamos com muito amor e muita entrega. Esse é um prêmio que pertence a todos que se entregaram a esse trabalho. Estou muito feliz”, disse a atriz.

Em 1999, ela foi indicada ao Oscar por Central do Brasil, mas perdeu para a colega Gwyneth Paltrow. Nos bastidores da Globo, o comentário é que de foi necessário insistir para que Fernanda fosse à premiação em Nova York, pois ela não estava confiante da vitória. No mesmo ano da premiação de cinema, ela estava entre as finalistas do Globo de Ouro. Um ano antes, ela havia recebido o título de melhor atriz no Festival de Berlin, também pelo filme dirigido por Walter Salles.

Em Doce de Mãe, com direção de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo, ela interpretou Dona Picucha, uma viúva de 85 anos que leva a vida com humor. “Doce de Mãe tem um pé na realidade e outro na fantasia. A realidade de um país de jovens onde há cada vez mais velhos e muitas dúvidas de como lidar com eles. A fantasia da comédia, da música, da poesia que tornam a realidade suportável. Picucha tem 85 anos e ainda não sabe bem o que vai ser quando crescer. Eu também não”, brincou.

Segundo Jorge Furtado, o papel feito sob medida para Fernanda. “Só ela poderia fazer a personagem. A trama é uma comédia humanista. Além dos momentos engraçados, tivemos também muitos outros emocionantes. Ali, ela fez comédia e drama com a mesma intensidade, a mesma entrega. A Fernanda ia de um extremo a outro rapidamente”, relembrou.

O cineasta afirma que o talento da atriz se manifesta em qualquer gênero. “Faz qualquer coisa com muita verdade e é extremamente generosa com quem contracena com ela. É simplesmente a maior e melhor atriz que conheço em televisão, teatro e cinema. Escrever para ela e dirigi-la foi mais que um prazer, uma honra. Para mim, este foi um dos seus grandes trabalhos, um de seus grandes papéis.”

Pelo Twitter, a presidente Dilma Rousseff deu os parabéns à atriz. “Primeira brasileira a disputar o Oscar de melhor atriz, Fernanda Montenegro interpreta novos papéis como quem encarna outras vidas. É o orgulho do Brasil”, escreveu.

Outro representante do País vencedor no Emmy Internacional deste ano foi Lado a Lado, na categoria novela, em que Avenida Brasil estava na briga pela estatueta. Entre os brasileiros na disputa, Marcos Palmeira estava indicado na categoria de melhor ator, pela atuação na série Mandrake, exibida pela HBO. Ele, porém, perdeu o título para Sean Bean, pelo papel na produção da BBC Accused.

Por aqui, o britânico é mais conhecido por encarnar Ned Stark na primeira temporada de Game of Thrones, que apesar de ser rodada no Reino Unido, competiu no Emmy Awards com atrações da televisão norte-americana, em setembro.

Quem voltou para casa com as mãos abanando foram as equipes de Como Aproveitar o Fim do Mundo, escrita por Alexandre Machado, e Fernanda Young, que perdeu na categoria comédia para a série inglesa Moone Boy. Na categoria drama, O Brado Retumbante, outra produção da Globo, que no mercado internacional tem o nome de Next in Line, foi derrotado pela francesa Les Revenants, que no Brasil vai ao ar pelo HBO Max.

Até hoje, apenas programas da Globo representaram o Brasil no Emmy Internacional. Desde que a categoria de novela foi criada, foram premiadas >Caminho das Índias (2009), o remake de O Astro (2011) e Laços de Sangue (2011), coproduzida com a SIC, de Portugal.

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