Feriado antecipa estréias de cinema

O feriado promoveu a antecipação das estréias cinematográficas da semana para esta quinta-feira. E o dia livre poderá ser ocupado por um cardápio variado, que vai desde X-Men 2 e sua fartura de efeitos especiais até Nelson Freire, sensível documentário sobre o brasileiro que é um dos maiores pianistas do mundo. No total, os seis longas estreantes passam a ocupar 76 salas da cidade. Haverá ainda uma reestréia (Botín de Guerra) e outras seis pré-estréias. Os fãs dos quadrinhos certamente vão formar fila para acompanhar a continuação das aventuras de Wolverine e seus colegas mutantes, em X-Men 2. Entusiasmado com o sucesso da primeira parte (US$ 300 milhões arrecadados em todo o mundo), o diretor Bryan Singer intensificou ação e efeitos para contar a ameaça de extinção de todos os mutantes do mundo, graças à ação de um militar. Surgem novos heróis (o melhor é Noturno, que consegue teletransportar-se), mas quem interessa mesmo são os antigos, como o professor Xavier (Patrick Stewart), Wolverine (Hugh Jackman) e Tempestade (a bela Halle Berry). Uma fila bem diferente deverá formar-se entre os espectadores de Nelson Freire - dirigido com sensibilidade e respeito por João Moreira Salles (sua estréia em longa), o documentário promove um homem e sua música. Apontado como um dos principais pianistas do mundo, Freire é um artista reservado, mas que se revela aos poucos, em palavras, audições e, principalmente, silêncios. Um filme para aguçar a sensibilidade. Com a mesma proposta, mas utilizando recursos distintos, estréia também Kamchtka, do argentino Marcelo Piñeyro. Trata-se da relação entre pai e filho, que cresce em afeto e respeito em um momento delicado na história da Argentina, 1976, quando a ditadura militar expandiu seus violentos tentáculos. Boa parte da trama desenvolve-se em uma casa de campo, onde a família se esconde da perseguição. É ali também que a criança descobre a importância de cultivar as raízes familiares. A descoberta da realidade marca também Bicicletas de Pequim, do chinês Wang Xiaoshuai, que acompanha um jovem de 16 anos recém-chegado à capital chinesa. Empregado como entregador, ele sonha comprar a bicicleta do patrão, mas, quando está prestes a fazer negócio, ela é roubada. Para os admiradores do ritmo oriental de se contar uma história. Já George Clooney estréia na direção de Confissões de uma Mente Perigosa, em que divide a cena com Drew Barrymore e Julia Roberts. Trata-se da história real de Chuck Barris (Sam Rockwell, melhor ator no festival de Berlim), showman que também é agente da CIA, cometendo assassinatos para o governo americano. Um filme criativo e inteligente. Outro ator a se aventurar na direção, Sean Penn buscou, em A Promessa, desconfortar o espectador ao contar a história de um policial (Jack Nicholson) que, um dia antes de sua aposentadoria, recebe a notícia do brutal assassinato de uma menina de 8 anos. Ele larga a festa de despedida para caçar o bandido. Apesar de contar com bons filmes no currículo (Acerto de Contas), Penn abusou da violência ao tratar da patologia americana. Mas, como de hábito, desdenhou a crítica e até esnobou o Oscar. Para os insones, estão previstas quatro pré-estréias. A maior curiosidade está em Tiros em Columbine, documentário que valeu o Oscar a Michael Moore, que aproveitou a ocasião para desbancar o presidente Bush. Também narrador, ele questiona a origem da cultura bélica americana. Um misto de diversão e denúncia. Os demais filmes poderiam ser classificados como reestréias por conta da idade: Conto de Verão (1996), de Eric Rohmer; A Noite Americana (1973) , de François Truffaut; e Nunca aos Domingos (1960), de Jules Dassin.

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