Feriado antecipa estréias da semana

Com o feriadão, as principaisestréias de cinema foram antecipadas para amanhã. Ocardápio apresentado é variado e se nem todos os itens sãorecomendáveis para paladares mais sofisticados, pode-se dizersem susto que há filmes para todos os gostos. Entram em cartazdo clássico Quanto mais Quente Melhor, de Billy Wilder, àmoderna comédia americana Showtime, com Robert De Niro eEddie Murphy. Caso raro, dois documentário chegam às telas dacidade, o tocante ABC África, de Abbas Kiarostami, e Ondea Terra Acaba, que o brasileiro Sérgio Machado fez sobre MárioPeixoto, autor do filme-mito do cinema nacional, Limite. Arelação de lançamentos se completa com O Mistério daLibélula, 40 Dias e 40 Noites e Um Ato de Coragem.Quanto mais Quente Melhor é tida como a maisperfeita comédia já feita nos Estados Unidos. Lançada em 1959,tornou-se grande sucesso de público. Êxito explicável quando sepensa nos ingredientes da trama e no elenco escolhido. TonyCurtis e Jack Lemmon fazem dois músicos obrigados a fugir deChicago pois estão sendo perseguidos pela máfia. Disfarçam-se demulher e passam a integrar uma orquestra feminina, da qual fazparte uma cantora supersexy, Sugar, interpretada por MarilynMonroe. Os dois se apaixonam por ela, mas, claro, não podemdemonstrar nada. Wilder acrescenta sofisticação a um gêneroconsagrado, a comédia de equívocos. E conta com o maior dostrunfos - o apelo sexual de Marilyn, com seu ar de falsaingenuidade e formas voluptuosas. Um clássico.O segundo destaque fica para os dois documentários. ComOnde a Terra Acaba, Sérgio Machado presta seu tributo a umafigura lendária do cinema nacional, o cineasta Mário Peixoto.Autor de um único longa-metragem, Mário viveu recluso e nuncaconseguiu terminar outro filme. Rodou parte de um projeto -chamado justamente Onde a Terra Acaba - mas não chegou aterminá-lo, por razões ainda controversas. Deixou Limite,considerado por muitos críticos o mais importante filmebrasileiro já feito, e um mistério atrás de si. Sérgio Machadonão procura penetrar nesse mistério. Homenageia o diretor,realiza um trabalho poético e presta o serviço de introduzir asnovas gerações à obra-prima de Peixoto. Limite volta aentrar em cartaz, com cópia restaurada, dia 14 de junho. O filmefoi apresentado pela primeira vez dia 17 de maio de 1931, noCine Capitólio, no Rio de Janeiro. Depois de uma sessãotumultuada, foi visto apenas por públicos restritos, atédesaparecer do mapa e transformar-se em lenda. Foi recuperadonos anos 70, lançado em vídeo e ressurge agora na tela grande docinema.No outro documentário, ABC África, o iraniano AbbasKiarostami (de O Gosto de Cereja) resolve mergulhar numarealidade das mais trágicas, a das crianças aidéticas de Uganda.Um filme muito especial, que acusa o contato com a miséria, masnem por isso faz profissão de fé no miserabilismo. Quer dizer,Kiarostami mantém-se na posição ética de quem registra a dor masnão deseja lucrar com ela, nem se engrandecer e nem purgarpecados. Comporta-se como uma silenciosa testemunha dahumanidade. E é o que basta para emprestar dignidade a essetrabalho.Um Ato de Coragem, filme de Nick Cassavetes comDenzel Washington no papel principal, se pretende uma críticaaos planos de saúde nos Estados Unidos. Lá, como cá, é maisfácil pagar do que receber. A história é a do garotinho queprecisa de um transplante cardíaco, mas o plano não quer pagar.O pai (Denzel), compreensivelmente, vai à loucura. Pena que otom seja piegas e o enredo pouco convincente, para ficar nasinconsistências mais óbvias. Showtime vai na linha dacomédia policial-burlesca. Dois tiras de temperamentosdiferentes brigam mas acabam por se entender, etc. Quer dizer,você já viu milhões de filmes mais ou menos iguais, mas esteainda quer pegar carona na mania dos reality shows, o que sóagrava a sua situação.Para quem quiser correr ainda mais riscos há OMistério da Libélula, com Kevin Costner fazendo o médico viúvoque começa a receber mensagens da esposa morta. Cinema espíritadá certo, como provam O Sexto Sentido e Ghost - do OutroLado da Vida. Mas tudo tem limite. Já os mais românticos podemapostar em 40 Dias e 40 Noites, improvável história do jejumde sexo a que um rapagão se propõe depois de uma desilusãoamorosa.

Agencia Estado,

29 de maio de 2002 | 15h53

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