"Feminices", uma conversa de mulher

A adoração do diretor Domingos Oliveira pelas mulheres não é segredo, desde sua estréia, nos anos 60, com Todas as Mulheres do Mundo, uma declaração de amor à atriz Leila Diniz. A partir dos anos 90, ele socializou as homenagens, em peças de sucesso, como Confissões de Adolescentes e Confissões da Mulher de 30. Em Feminices, que estréia hoje, com uma cópia em São Paulo e três no Rio, essas mulheres chegam aos 40 anos, com dúvidas, anseios e frustrações. "Minha inspiração é Ingmar Bergman, que filma mulheres rindo e conversando, como se não houvesse mundo lá fora", teoriza ele, para informar que Feminices é um quase documentário. Tal como seus filmes anteriores, Amores e Separações, Feminices foi peça de teatro, com roteiro das atrizes Priscilla Rozembaum, Dedina Bernardeli, Cacá Mourthé e Clarice Niskier, que fez o texto final. O filme foi rodado em oito dias (com câmera digital) e custou inacreditáveis R$ 12 mil. Domingos adverte que trabalhar com pouco dinheiro é opção. "Assim, falo do que quero, como quero e com pessoas que querem estar comigo. Hoje em dia, a captação é uma censura, pior que a política", diz.A história gira em torno de quatro atrizes estreando nos 40 anos e em busca de um texto e um diretor para um espetáculo. Não conseguem nem uma coisa nem outra e o marido de uma delas, vivido pelo próprio Domingos Oliveira, recusa a tarefa. Enquanto isso, falam da vida afetiva com um despudor e falta de reservas que só as mulheres conseguem. Contam histórias reais enfeitadas com um pouco de ficção. A certa altura, a personagem de Priscila, mulher do diretor no filme e na vida real, confessa um adultério. Ficção ou realidade? Domingos ri, esperto. "Até onde sei, pura ficção."

Agencia Estado,

04 de março de 2005 | 16h19

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.