Leila Fugii/ Sesc São Paulo
Leila Fugii/ Sesc São Paulo

‘Fela revela outra África para a gente, diz Joel Zito Araújo

Em entrevista ao 'Estado', diretor fala sobre as dificuldades e as lições que aprendeu com o documentário 'Meu Amigo Fela'

Entrevista com

Joel Zito Araújo

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2019 | 06h00

Fela Kuti, poderoso músico nigeriano, conhecido mundialmente pelas suas batidas marcantes, cheias de referências africanas - não à toa, ele foi o criador do gênero afrobeat -, é tema do novo documentário de Joel Zito Araújo, que leva ao público um trabalho emocionante sobre o multi-instrumentista.

Na história, ele mostra como Fela foi amplamente perseguido em sua terra natal, isso em plena metade do século 20, por ser um ferrenho ativista político e ávido defensor dos direitos humanos. Em entrevista ao Estado, o diretor falou sobre os problemas encontrados ao filmar uma produção que se passa em outro país. 


Luiz Carlos Merten - Por que dedicar tanto tempo, mais de quatro anos, a um filme sobre Fela?

Joel Zito Araújo - O tempo teve a ver com as dificuldades do processo, porque nunca é fácil fazer um filme. Questões de direitos, problemas para poder filmar na Nigéria, mas nada disso diminuiu o desejo de revelar que houve uma geração de artistas e intelectuais africanos que, na segunda metade do século 20, quis mostrar a África real, sem romantismo nem estereótipos. Fela foi um gênio, uma potência humana e criativa.


Senti-me meio voyeur acompanhando aquela história. Um homem e suas muitas mulheres...

Não era um harém, (ele) não era um machista. Podia ter, e tinha, suas contradições, mas o que ele nos propõe é outra visão. Do mundo, da arte, das relações. Complementando a pergunta anterior, é bom parar durante o processo. Trabalhar correndo pode ser bom, mas é interessante parar para pensar, refletir, respirar. O filme pode tomar outro fluxo. Foi o que houve com o Meu Amigo Fela. Ficou melhor.


E o próximo, O Pai de Rita?

Começo a montar no início do ano. Uma comédia com elenco negro. Afeto, música e paternidade. Ailton Graça, Wilson Barbosa e a Léa Garcia. Léa é incrível. Tem  86 anos e eu só espero  ainda filmar muito com ela. 

 

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