Ryan Pfluger/NYT
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Favorito ao Oscar, Rami Malek relembra temas curiosos sobre sua interpretação de Freddie Mercury

Rami Malek, que acaba de ganhar o prêmio do SAG, é a estrela de 'Bohemian Rhapsody', filme que resgata a trajetória de Freddie Mercury, líder do Queen

Gabe Cohn, THE NEW YORK TIMES

29 Janeiro 2019 | 03h00

Para Rami Malek, a primeira indicação para o Oscar – por seu papel como Freddie Mercury no filme biográfico Bohemian Rhapsody – significa falar sobre dentes. Ele disse que as discussões de pré-produção sobre os dentes branco perolados do cantor, incluindo seu tamanho, sua forma, eram tão importantes quanto a própria dentição.

Malek, que até agora era provavelmente mais conhecido pela série de televisão Mr. Robot: Sociedade Hacker, deu a entrevista pouco mais de uma hora após o anúncio das indicações ao Oscar, que totalizaram cinco, incluindo melhor filme – e antes de receber o prêmio do SAG, o que lhe confere favoritismo no Oscar. Foi um resultado inesperado, dado o caminho cheio de obstáculos do filme até as telas: Bryan Singer foi demitido no meio da produção, mas ainda é o diretor com o nome nos créditos. Falando ao telefone de Paris, Malek falou sobre Singer, Mercury e, sim, sobre aqueles dentes.

Onde você estava quando soube da indicação?

Estou em Paris, fazendo um trabalho. E está nevando, é absolutamente impressionante. Então, receber essa notícia neste ambiente parece bastante inesperado, acho. Tudo parece um conto de fadas, mágico. Tento não prestar tanta atenção nesses dias quando as nomeações saem, como acho que todas as outras pessoas racionais fazem. Então foi um choque excepcional, porque eu não sabia que o dia era hoje.

As pessoas falam sobre sapatos e outros elementos de vestuário ajudando-o a entrar no personagem. Os dentes fizeram isso por você?

As pessoas falam sobre os dentes, maquiagem e guarda-roupa. Mas são os maquiadores e o figurinista que mais me ajudam. Então, para falar sobre por que precisamos dos dentes ou do tamanho dos dentes e por que Jan Sewell (designer de cabelo e maquiagem) teve que tornar meu nariz mais aquilino – são aquelas conversas tão úteis para mim quanto ter os próprios dentes físicos.

Como você pensou em criar na tela um personagem tão atraente a partir de uma pessoa com uma personalidade tão distinta?

Eu queria desmistificá-lo como um deus do rock e descobrir sua humanidade. Eu poderia me identificar com ele de certa forma – sou um americano de primeira geração, ele é um imigrante. E ele estava lutando com sua identidade e sua identidade sexual numa época em que era muito difícil e estigmatizado e, francamente, ainda é em muitos lugares ser algo diferente de um heterossexual. Instantaneamente, isso é um ser humano para mim. E então você vê as músicas que ele escreveu. Usei isso quase como um diário sobre o que ele atravessava ano após ano.

As músicas fizeram mais por você do que vídeos do YouTube ou filmagens dele?

A música sempre me deu o chão. Ajudava muito saber que aquele homem que às vezes se sentia muito, muito parecido comigo e muito incomum, muito distante de mim em outros momentos, ajudava saber que eu conseguia me basear naquilo que ouvia dele, tentando alcançá-lo em sua música. Ele podia segurar o mundo do palco na palma da mão, mas a música às vezes me fazia sentir que ele só queria estar nas mãos de alguém também.

Até que ponto Bryan Singer desempenhou um papel na sua concepção do personagem?

Estive trabalhando nisso por cerca de um ano antes, então tinha toda a ajuda possível com os treinadores de movimento, sotaque e todas as filmagens de arquivo que existiam. Vi tudo o que estava online, tudo escrito sobre ele, todos os documentários – e ainda estou assistindo. Voltei e vi outro dia, de novo, o making of do Live Aid.

Então Singer estava menos envolvido? Você absorvia a informação que podia?

Sim. Pedi ao nosso produtor Graham King para ter isso pronto muito antes de Bryan estar conversando.

Você levou isso a sério, não?

Pensei que, se esse filme fosse feito e alguém desse a autorização, eu não ficaria mal preparado. Pensei que o pior que podia acontecer seria aprender a viver Freddie Mercury e um dia isso poderia ser algo que eu compartilharia com meus amigos. Se tivéssemos luz verde e eu não estivesse preparado, isso seria a coisa mais trágica.

Qual sua música favorita do Queen?

Amo todas as canções, cara, realmente amo. Mas nunca pensei que gostaria dos registros mais profundos e das gravações antigas, como agora. 

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