Fast food é alvo do documentário "Super Size Me"

Fãs de fast food, fiquem espertos. Seu lanche pode ficar indigesto nas próximas semanas, quando estrear no País o documentário Super Size Me, de Morgan Spurlock. Desde que fez sensação no Festival de Sundance, em janeiro, Spurlock virou uma celebridade. Estreado em maio nos EUA, seu documentário ocupa o quarto lugar entre as maiores rendas do gênero, após Fahrenheit 11 de Setembro e Tiros em Columbine, ambos de Michael Moore, e Migrações Aladas. Spurlock está no Brasil desde sábado, onde chegou para acompanhar a exibição de seu filme no Festival Internacional de Cinema de Brasília.Na quarta e quinta, ele estará em São Paulo, para promover Super Size Me. Durante um mês, o diretor submeteu-se a uma dieta formada exclusivamente pelas ofertas da rede de fast food McDonald´s. E Spurlock não comia um simples hamburger ou um modesto cheeseburger. Empanturrou-se com sanduíches gigantescos - os chamados ´super size´. Teve vômitos, tontura, febre, mudanças no colesterol, até o desempenho sexual foi afetado (para pior). Spurlock documentou tudo isso com sua câmera. Criou, nos EUA, um caso nacional para a rede McDonald´s. Espera transformar agora esse caso em internacional. Afinal, a rede, segundo ele, envenena as pessoas em todo o mundo. Há tempos ele queria fazer um documentário de longa-metragem para cinema. Achou que seria interessante falar sobre comida. Spurlock gosta de dizer que sua mãe é do tipo que faz o jantar de cada noite. Comida saudável, caseira. Isso é cada vez mais raro. No ritmo frenético da vida atual, as pessoas comem fora na maior parte do tempo. E não escolhem muito. Fast food, sanduíches, refrigerantes. Essa dieta transformou os EUA num país de obesos. Investigando o assunto, Spurlock chegou ao McDonald´s e à idéia maluca de só comer sanduíches super size, ao longo de um mês inteiro, para provar seu ponto. O resultado foi imediato. Super Size Me causou impacto no Festival de Sundance e surpreendeu o diretor na bilheteria.Spurlock diz que "o documentário é hoje a última fronteira da livre expressão." Alguns críticos dizem que ele é exibicionista, por colocar-se no centro do próprio filme. Spurlock explica: "Não poderia pedir a outro que fizesse isso, até pelos riscos que o processo envolvia." Para o próprio diretor, o que ele fez foi dar um rosto ao problema, tornando seu discurso ainda mais forte. Te cuida, Ronald McDonald´s. Assim como Bush tem uma pedra no sapato - e é Michael Moore -, o garoto-propaganda de McDonald´s também tem sua, e é Morgan Spurlock.

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