"Fantasmas de Marte" erra no roteiro

Fantasmas de Marte está mais para Trovão das Ruas ou Fog - A Bruma Assassina que para Fuga de Nova York ou Halloween na carreira de John Carpenter . Ou seja, não é um acerto, nem um acidente feliz. Neste, o mestre do soft trash errou a mão ao seguir uma tendência culturóide de embaralhar qualquer roteiro pelo simples ou perverso prazer de atrapalhar a compreensão do espectador. Começa como uma mistura da claustrofobia de Alien com a alucinação de Massacre da Serra Elétrica, passa para um western rotineiro em que um grupo de mocinhos (ou pelo menos de humanos) tem de limpar uma daquelas cidadezinhas de fronteira (você sabe que aquilo é Marte porque o chão é vermelho). Os bandidos são uns caras sanguessugas de dentes pontudos, piercings e pintura na cara que faz desconfiar que eles foram aposentados por idade do Kiss ou do King Diamond. Na verdade, eles são mineiros humanos possuídos por fantasmas e transformados em assassinos zumbis. De repente, o faroeste virou filme de tira. Aí brilha Pam Grier como Helena, a tira lésbica. Nos créditos, sabe-se que estamos no século 22 e o Planeta Vermelho virou uma filial da Terra. Com população de 640 mil e sociedade matriarcal. Afinal, quando a tenente da polícia marciana Melanie Ballard (Natasha Henstridge) retorna de uma missão perigosa algemada numa espécie de trem-fantasma vazio, tem de explicar o porquê disso diante de uma interrogadora matronal.Felizmente, Natasha conserva o físico de miss escandinava de A Experiência (não, desta vez ela não vira um alien nojento e viscoso). Como boa heroína de Carpenter, ela tem problemas: drogas, um oficial tarado e a superior lésbica, não necessariamente nessa ordem. Além dos fantasmas-título. Eles acabam com a população de uma cidadezinha. Há detalhes explícitos de como ficaram depois de estripados e decapitados; escapa dessa sorte um prisioneiro, Desolation Williams (Ice Cube), o sujeito ideal para lidar com uma situação dessas. E não só desse tipo. Quando um fantasma possui Melanie, Desolation injeta droga na moça e o alien sai rapidamente do corpo dela, no que talvez seja o mais inesperado comercial de ?diga não às drogas? do ano.

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