Falta desejo ao filme "Diário de Uma Paixão"

Nick Cassavetes, filho do grande John Cassavetes e de Gena Rowlands, resolveu mesmo investir na linha romântica. Este Diário de Uma Paixão tem ar tão retrô que acaba ficando até interessante no início, embora essa sensação não se sustente por muito tempo. Num primeiro tempo temos dois idosos, sendo que a mulher (Rowlands) sofre do mal de Alzheimer. Está perdendo a memória. O homem (James Garner) lê para ela o que parece ser um livro, um diário, o relato de uma vida. Então o filme evolui para o flash-back, volta ao passado e neste temos um casal de jovens, Allie e Noah, que se apaixonam. A década é a de 40, estamos nas vésperas da entrada dos Estados Unidos na 2.ª Guerra Mundial. E Allie (Rachel McAdams) e Noah (Ryan Gosling) têm de enfrentar a sua guerra pessoal, pois estão apaixonados, mas pertencem a meios sociais muito diferentes. Ela é rica e fina; ele, pobre, grosseiro. E encantador. Enfim, o filme tinge-se dessa aura romântica dos amores impossíveis ou, pelo menos, dos amores difíceis. Diário de Uma Paixão visa ao público adulto. Digamos assim, um público que já tenha passado pela experiência de algum grande amor de difícil condução. Talvez um público que já tenha sentido o começo do envelhecimento, ou já tenha pensado nele, e sinta o que é o contraste entre a falsa arrogância da juventude e a fragilidade da velhice.

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