Falta arrepio no suspense protagonizado por Demi Moore

Num nível muito inferior de realização, o que se tem em "Protegida por um Anjo" faz parte também do vasto capítulo do relacionamento humano entre pais e filhos. Mas, por assim dizer, é um filme que parasita o tema, aproveita-se dele sem dignificá-lo, quer dizer, sem contemplá-lo em sua complexidade.E nem deveríamos, em sã consciência, pedir esse tipo de atitude de um filme que apenas pretende ser um thriller mediano e nem mesmo mesmo a isso consegue chegar. A história é a de Rachel Carlson (Demi Moore), escritora muitíssimo bem-sucedida, casada com um também candidato a escritor, mas este um fracassado contumaz. Rachel tem um filho, Thomas (Beans Balawi), do primeiro casamento. O garoto sofre um acidente e morre afogado. A mãe, em desespero, busca refúgio numa região remota e divide seu tempo entre o romance que está escrevendo e o namorico com um charmoso faroleiro, Angus McCulloch (Hans Matheson). Até que começa a ver coisas. E não sabe se são reais ou alucinações. Mais não se pode dizer sem entregar a história.O que, sim, se pode dizer é que fazer cinema de suspense dá um trabalho danado. Requer talento, e muitas vezes experiência, o que não parece ser o caso deste diretor Craig Rosenberg, um australiano de currículo pouco notável.O desafio do suspense é gerar um clima assustador. Que se faz por impasses, subentendidos, atmosfera eletrizante. Hitchcock era mestre no gênero e deveria ter seus filmes estudados plano a plano por quem se dispusesse a garimpar esse veio no cinema. Há toda uma arquitetura do terror psicológico que custa um trabalhão danado para ser posta em pé. Não é para qualquer um - e seguramente não é para Rosenberg.Um subtema desse gênero são as aparições. Essas podem ser assustadoras, ou cair no ridículo. Tomemos um exemplo do gênero - "O Iluminado", de Stanley Kubrick. A cada vez que um daqueles fantasmas do Hotel Overlook surge o espectador sente um frio na espinha. Em "Protegida por um Anjo" (ridículo título para o original "Half Light"), o espectador sente é vontade de rir a cada vez que um personagem retorna do além-túmulo e ressuscita na tela.Enfim, o filme parece todo concebido como veículo para a quarentona (ainda enxuta) Demi Moore. Tudo bem. Mas poderiam ter-lhe dado coisa melhor. Protegida por um Anjo (Half Light, Ale- Ing/2006,110 min.) - Suspense. Dir. Craig Rosenberg. 14 anos.Em grande circuito. Cota-ção: Ruim

Agencia Estado,

04 de agosto de 2006 | 10h41

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