"Fahrenheit" é alvo de críticas e visto por 90 mil no Brasil

O filme de Michael Moore que faz dura crítica ao presidente dos Estados Unidos George W. Bush foi visto no Brasil por mais de 90 mil pessoas no fim de semana de lançamento, ao mesmo tempo em que o cineasta recebia fortes críticas colocando em dúvida as informações do filme, tanto nos Estados Unidos como na Arábia Saudita.Lançado em 50 cinemas do Brasil, na sexta-feira, Fahrenheit 11 de Setembro vendeu neste fim de semana 91.547 ingressos. O número superou as estimativas iniciais dos distribuidores, pois, em apenas três dias, o filme alcançou 44,65% dos ingressos vendidos em toda a temporada brasileira do filme anterior de Moore, Tiros em Columbine.Nos Estados Unidos e na Arábia Saudita, o diretor de Fahrenheit 11 de Setembro, tem feito mais inimigos. O jornal The Pantagraph, de Bloomington, no Estado americano de Illinois, disse sexta-feira que enviou uma carta a Moore e à distribuidora do documentário, a Lions Gate Entertainment Corp., exigindo um pedido de desculpas pelo uso de uma de suas capas no filme. O jornal quer uma indenização de US$ 1. Já a família real saudita critica as afirmações de Moore sobre o governo americano ter protegido sauditas e familiares de Osama bin Laden após os ataques de 11 de setembro.Manipulação - Uma das primeiras cenas de Fahrenheit mostra diversas manchetes de jornais relacionadas à contestada eleição presidencial de 2000 e inclui uma tomada com a capa da edição de 19 de dezembro de 2001 do The Pantagraph, com o título: ?Última recontagem da Flórida mostra que Gore venceu eleição?. O jornal diz que aquela manchete não foi usada naquele dia, mas no dia 5 de dezembro de 2001, mas que ela não apareceu na primeira página. Em vez disso, ela foi usada com um tamanho de fonte bem menor acima da carta do editor, que o jornal afirma refletir ?apenas as opiniões de quem escreveu a carta?. ?Se (Moore) quer ?editar? o Pantagraph, ele deveria pedir um emprego de editor?, disse o jornal. Tanto a Lions Gate como Michael Moore não foram encontrados para comentar, ontem.Sauditas - Já a família real saudita criticou o documentário afirmando que são falsas as declarações do filme de que vários sauditas poderosos receberam permissão para sair dos Estados Unidos imediatamente após os ataques terroristas de 11 de setembro. Os atentados foram realizados por 19 terroristas, 15 dos quais sauditas. O príncipe Turki al-Faisal, embaixador da Arábia Saudita em Londres, que é meio irmão do príncipe herdeiro Abdalá, disse em entrevista publicada ontem que Moore não fez uma investigação adequada para seu documentário. No filme, Moore afirma que o governo norte-americano ajudou um grande número de sauditas e membros da família Bin Laden a abandonar os Estados Unidos quando o espaço aéreo do país estava fechado para vôos comerciais. Al-Faisal, que estava encarregado do serviço de inteligência saudita naquele momento, disse que seu país foi completamente livrado de qualquer participação nos ataques, pela comissão investigadora do 11 de setembro. O relatório da comissão não encontrou nenhuma evidência de que tivessem sido realizados vôos com cidadãos sauditas antes da reabertura do espaço aéreo em 13 de setembro. ?Teria sido melhor se Michael Moore tivesse lido o relatório da comissão antes de fazer seu filme. Ele prova que todas as regras foram estritamente cumpridas?, disse al-Faisal ao jornal The Sunday Telegraph. O filme faz uma dura crítica ao governo George W. Bush. Moore afirma que ele ganhou as eleições de 2000 por fraude, que ele foi negligente ao não evitar os ataques terroristas de 11 de setembro, que manteve vínculos com a família Bin Laden e que a invasão do Iraque foi um erro. O documentário venceu a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes deste ano e foi aplaudido de pé em algumas salas de cinema.

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