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Fábio Porchat em romance em alto-mar no cinema

Ator, e colunista do ‘Estado’, conta como foi filmar ‘Meu Passado Me Condena’ durante cruzeiro para a Itália

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2013 | 18h33

Tire o cão e projete o casal num cruzeiro que atravessa o Atlântico – existem curiosos pontos comuns entre Mato sem Cachorro, o longa de Pedro Amorim com Bruno Gagliasso, que neste final de semana atinge a marca de 1 milhão de espectadores, e Meu Passado Me Condena, de Julia Rezende, com o colunista do Estado, Fábio Porchat, e Miá Mello. O filme estreia nesta sexta em salas de todo o Brasil. Em São Paulo, capital, é possível que trombe com a Mostra, mesmo que o público potencial da comédia não seja exatamente formado por cinéfilos.

No limite, Mato sem Cachorro e Meu Passado Me Condena são filmes sobre casais, e sobre a amizade masculina. O segundo é realizado por uma mulher – a filha do diretor Sérgio Rezende com a produtora Mariza Leão –, e não é o menos curioso dos atrativos de Meu Passado esse olhar feminino lançado sobre o universo dos homens. O mistério do filme é seu título. Meu Passado Me Condena cabe melhor num drama social, e como tal foi usado pela Rank ao lançar no Brasil Victim, de Basil Dearden, com Dirk Bogarde. O longa inglês de 1963 fez história ao narrar o caso de homem chantageado por seu passado homossexual. Na Inglaterra, a reação emocional da plateia levou a um debate que culminou com a revogação de leis antigays que remontavam à época da Rainha Vitória.

Qual é o passado que condena os personagens interpretados por Porchat e Miá? Na série fundadora do Multishow como no filme, a dupla se casa depois de apenas um mês de convivência. Agora juntos, passam a conhecer o passado um do outro, e surgem as revelações. No filme, Fábio e Miá embarcam num cruzeiro rumo à Itália e, a bordo, encontram o ex dela, Beto, casado com a mulher (Laura) que foi o objeto de desejo de Fábio na escola. O casal de trambiqueiros Marcelo Valle e Inez Vianna também está no navio, com o amigo do herói, Rafael Queiroga.

O filme começou a nascer há exatamente um ano, quando Porchat e Miá gravavam a primeira temporada em Itaipava, no Rio. Na trama, como recém casados, eles iam para uma pousada. Marisa Leão produzia e a filha Julia já era a diretora. Entusiasmada com o material e o entrosamento da equipe, a produtora lançou o desafio – e se a gente fizesse um longa? Não é muito frequente esse tipo de eficiência, digamos, industrial, no cinema do País, mas um ano depois Meu Passado Me Condena – O Filme chega às telas.

Porchat destaca o que, para ele, é mais importante. “O filme aprofunda mais os personagens. O Fábio, por exemplo, ganhou uma profissão e agora a gente sabe que ele é um empresário do ramo do entretenimento infantil, possuindo um buffet com a família. Isso, inclusive, motiva comentários de Laura sobre o tipo de homem em que ele se transformou, preservando a inocência.” Não foi fácil filmar em alto-mar. Foram 20 dias de gravações, com uma equipe de 35 pessoas infiltrada entre os 5 mil passageiros e tripulantes do cruzeiro.

 “Passamos por lugares muito interessantes, que não conhecia, como Funchal e Marselha.” Por que não entraram na história? “A gente tinha de aproveitar os momentos em que os passageiros desciam e o navio ficava vazio para filmar muitas cenas.” Houve espaço para improvisação? “A Julia (diretora) é ótima e o roteiro abre um espaço pra isso, mas era muito escrito. Em geral, as pessoas acham que é só improvisação, mas não é verdade.” O que foi a grande novidade do filme para Porchat? “O formato comédia romântica. Adorei fazer.” E os amigos, gostaram? “Elogiaram bastante.” Foi pura brodagem, arrisca o repórter. “Que nada, se eu faço coisa ruim eles baixam o pau.” Que coisa ruim, por exemplo? “Ah, não vou dizer, ou os diretores não me chamam mais”, e ele ri. Como Porchat avalia a experiência do colunista do Estado? “Ainda estou aprendendo a dominar o formato, e gostando. No Rio, não tinha muito retorno, mas, agora que estou aqui, (com peça no Shopping Frei Caneca) as pessoas comentam. Está sendo muito bacana, esse exercício de ser eu mesmo e opinar”, avalia.

 

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