Expressionismo ganha ciclo de filmes em São Paulo

Começa hoje em São Paulo a mostra O Horror Silencioso, no galpão do Sesc Pompéia, com quatro obras-primas mudas que, além do histórico papel na escola expressionista, fazem concluir que o cinema nunca mais conseguiu recuperar a imaginação e a pureza dos primeiros anos. Duas delas foram dirigidas pelo alemão Paul Leni no momento culminante do expressionismo alemão, O Gabinete das Figuras de Cera (1924) e O Homem Que Ri (1924). Há também o ousado Häxan - A Feitiçaria Através dos Tempos (1922), realizado pelo ator e cineasta dinamarquês Benjamin Christensen, e a adaptação cinematográfica do clássico A Queda da Casa de Usher (1928), de Edgar Allan Poe, feita pelo francês Jean Epstein. O filme foi lançado em DVD pelo selo Magnus Opus, que promove a mostra e agora coloca no mercado os outros três títulos. Contando com uma exposição de Elisabete Perez e comentários do professor, historiador e crítico de cinema Luiz Nazário, a mostra começa com O Homem Que Ri, baseado no clássico de Victor Hugo. Como no anterior, O Gabinete de Figuras de Cera, a monstruosidade é escolhida por Leni como ponto de partida para uma discussão humanista. Já Häxan lida com outro tipo de monstruosidade, a ideológica, que mandou para a fogueira mulheres acusadas de bruxaria e que, hoje, seriam submetidas a tratamento psiquiátrico como histéricas.O diretor Christensen assume a narração na primeira pessoa, contando como o mundo mítico da feitiçaria ecoa na modernidade, que ainda pune transgressões com a ameaça de confinamento. As alucinantes imagens de Häxan marcaram o dinamarquês Carl Dreyer (O Martírio de Joana D´Arc) e o polonês Jerzy Kawalerowicz, que copiou a seqüência das freiras endiabradas em Madre Joana dos Anjos (1961). O Horror Silencioso - Häxan - A Feitiçaria Através dos Tempos, de Benjamim Christensen; quarta, 19h e sábado, 14h, O Homem Que Ri, de Paul Leni; quinta, 19h e sábado, 16h, O Gabinete das Figuras de Cera, de Paul Leni; sexta, A Queda da Casa de Usher, de Jean Epstein. Sesc Pompéia. R. Clélia, 93, 3871-7700. Abertura hoje, 22h, com exibição de filme e exposição de Elisabete Perez (visitação de terça a sábado, 13h/19h. Até 30/10)

Agencia Estado,

26 de outubro de 2004 | 12h10

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