Manjericão Filmes
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Exibido no Festival de Berlim, brasileiro ‘Meu Nome É Bagdá’ fala de garotas no mundo do skate

Filme de Caru Alves de Souza, filha de Tata Amaral, está na mostra Generation

Luiz Carlos Merten, enviado especial, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2020 | 21h29

BERLIM - Ao redor da Berlinale, e na entrada do mercado, o filme brasileiro com maior exposição no 70.º festival, é o de Caru Alves de Souza. Cartazes - um outdoor - anunciam My Name Is Baghdad. Caru é filha da cineasta Tata Amaral, mas já tem obra própria. Ela participa da mostra Generation com seu filme sobre uma garota que precisa superar o preconceito para se afirmar no universo machista do skate.

Meu Nome É Bagdá - o projeto começou a surgir para Caru há cinco anos. Inicialmente, era uma adaptação - do livro Bagdá, o Skatista. Tatiana era uma prima do personagem principal. Caru inverteu o gênero - fez de Tatiana/Bagdá a sua protagonista. Na fase de pesquisa ela conheceu Grace Orsato e suas amigas. Garotas no universo do skate. O projeto começou a mudar. Virou sobre a ocupação das ruas pelas mulheres. Bagdá é submetida o tempo todo às pequenas violências praticadas contra as mulheres. No próprio grupo, há um mano que a desrespeita. Com suas novas amigas, ela vai para cima dele.

Filmado, e montado, como um documentário, o filme tem uma estrutura forte, na qual a música - a trilha - tem seu papel. Grace, a atriz, é andrógina. Cabelo curto, vestida de homem. Numa abordagem da polícia, é desrespeitada - uma tragédia de todos os dias para quem vive na periferia. Um gay, uma trans e Bag são acuados no campo de futebol. Caru permite-se uma liberdade poética. Há muito rap no filme, mas o trio reage ao som de Over the Rainbow, só que, em vez de Dorothy, Bag incorpora o Leão Covarde, que descobre sua força.

A sala lotada reagiu na medida. E o desfecho é belo. Afirmação do empoderamento - A Vizinhança do Tigre, do grande Afonso Uchôa, em versão feminina, ou feminista. Sete anos após De Menor, Caru Alves de Souza volta ao longa e assina um dos melhores filmes brasileiros - o melhor? - desta seleção da Berlinale.

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