Exibição digital acaba com as falhas no cinema

A exibição digital de filmes no cinema é um processo novo e mais eficiente que o tradicional, que utiliza negativo. Hoje, em São Paulo, já são 9 cinemas capacitados para projeção digital. E, a partir do dia 20, serão outros 18. O processo é computadorizado e utiliza a internet como caminho de distribuição. Atualmente, atuam com o processo digital a Rain Network, pertencente ao Grupo Mega, e a TeleImage. Com essa tecnologia, o filme é "escaneado" do negativo para um servidor, onde fica armazenado em um hard disk. "E aí começa o processo que facilita e barateia a distribuição", comenta José Eduardo Ferrão, diretor-geral da Rain. "Não é mais preciso o envio de cópias em negativo para as salas, o que diminui o custo para o exibidor", comenta Ferrão. "Os cinemas mais distantes das capitais não precisam mais esperar que se esgote o tempo de projeção dos principais filmes para receber cópias já desgastadas."Em São Paulo, a Rain Network já fornece tecnologia para os cines Morumbi (salas 2, 3 e 4), Top Cine (1 e 2), Cinemark Market Place (6) e Cinemark Villa-Lobos (4). Já a TeleImage, que desenvolveu o Casablanca Digital System, exibiu Eu, Robô em uma sala UCI do shopping Jardim Sul e em outra do Kinoplex Itaim. Os dois processos oferecem uma imagem que preenche a tela inteira e a projeção ocorre sem oscilação, com foco perfeito, brilho consistente, legendas nítidas e nenhuma interrupção. Além do barateamento dos custos com distribuição (em termos mundiais, há cálculos que apontam até uma economia de US$ 5 bilhões por ano), a projeção digital permite ainda a exibição de conteúdos alternativos. Como os clipes de três minutos sobre a Olimpíada de Atenas que a Rain, em um acordo com a TV Globo, vai exibir até o dia 12, em 25 salas do Rio, São Paulo e Brasília. As imagens são fornecidas pelo Comitê Olímpico Internacional, que utiliza 37 câmeras de alta definição.Cinema brasileiro - O crescimento da projeção digital favorece principalmente o cinema brasileiro e os filmes independentes. A opinião é de Bruno Wainer, da distribuidora Lumière. "Como o mercado americano ainda não se decidiu sobre qual sistema digital vai adotar - e, por isso, ainda é pequeno o número de filmes exibidos aqui digitalmente -, temos um espaço para ocupar", comenta ele. A projeção digital abriu uma brecha para a exibição de filmes fora do circuito de Hollywood, nos últimos meses. Os nacionais Cazuza - O Tempo Não Pára, de Sandra Werneck e Walter Carvalho, e O Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein, por exemplo, foram apresentados em algumas salas capacitadas para o digital. "Também independentes, como Party Monster, tiveram a mesma chance", comenta Bruno Wainer.

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