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Evento discute filme 'A Amante', de Ben Attia, em São Paulo

Debate, em parceria com O Estado, terá o crítico Luiz Zanin Oricchio

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2018 | 15h51

Há dois anos, em Berlim, o diretor Mohamed Ben Attia disse para o repórter que seu belo longa Hedi tinha a cara da revolução que, anos antes, sacudira a Tunísia. Como ocorrera em todo o mundo árabe – a primavera árabe – os jovens haviam ido às ruas pedindo liberdade. O filme era o testemunho dessa transformação.

O sucesso foi grande e Hedi terminou duplamente premiado. Ben Attia recebeu o prêmio para o melhor filme de diretor estreante e Majd Mastoura, que faz Hedi, foi melhor ator. Dois Ursos de Prata. Na noite desta sexta-feira, 25, o filme, reintituilado A Amante, terá direito a debate com o crítico Luiz Zanin Oricchio na sessão das 20h do cinema Belas Artes, em São Paulo. A parceria é do Estado.

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Passsados dois anos, Ben Attia estava de novo, neste mês de maio, em outro grande evento internacional de cinema. Seu novo longa, Dear Son, integrou a seleção da mostra Quinzena dos Realizadores, em Cannes. Ambos os filmes são bastante representativos do novo fôlego do cinema tunisiano e também do que tem ocorrido com o país. A Amante é sobre a 'velha' Tunísia. Hedi trabalha na representação comercial da indústria automotora. Comercializa carros. Seria um bom emprego, se a crise não estivesse paralisando o país.

Hedi é o típico bom moço. É dominado pela mãe, que decide sobre a vida dele. Hedi está às vésperas do casamento e tudo – a festa, a noiva -, foi decidido pela mãe. Nesse quadro, ele vai fazer uma última viagem de trabalho e ocorre o improvável. Hedi encontra uma mulher de temperamento libertário – a 'amante' – e ela bagunça a vida dele. A amante metaforiza a própria revolução. Nada será como antes. o rapaz fica dividido.

A família está de novo em discussão em Dear Son, mas o quadro agora é outro. Uma família de classe média e o filho enfrenta a tensão do 'bac', o vestibular. Vomita, sofre de dores de cabeça, desmaia. Os pais entendem os sinais como uma reação do filho ao vestibular. Não é. Na véspera do exame – como Hedi na véspera do casamernto -, o filho querido some. A verdade brutal. Foi cooptado pelo terror. Some no mundo árabe. O pai vai atrás. A família implode. Dear Son é fortíssimo, mais até que A Amante. A ênfase no pai constrói um personagem de outra geração, outra atuação memorável merecedora de prêmio. Os dois filmes mostram que Ben Attia está engajado nas grandes questões humanas, sociais e políticas de seu tempo. O debate desta noite no Belas Artes é importantíssimo. O filme estreia na quinta da próxima semana. Depois, será esperar por Dear Son.

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