Europeus dominam as estréias de cinema

Além de Fellini: Eu Sou Um Grande Mentiroso, a estréia de cinema mais destacada deste fim de semana é Salomé, de Carlos Saura. Se para quem gosta do cinema para além das fronteiras americanas Fellini é referência basilar e fundamental, Saura entra em qualquer lista de notáveis por suas realizações consistentes ainda a partir dos anos 70, quando os musicais não eram sua grande pedida e ele investia em dramas psicológicos. O fato é que com este Salomé, produzido em 2002, o diretor espanhol aposta mais uma vez nos filmes bailados, com muitos dançarinos, números musicais de um calor tipicamente latino e imagens compostas à perfeição. Foi assim com Carmem, Bodas de Sangue e Tango. Repetitivo sim, mas já foi dito que o grande artista faz e refaz a mesma obra até o fim, ou até o mais próximo possível da perfeição. Desta vez, Saura conta uma história bíblica. Salomé é aquela dançarina que ama João Batista mas é por ele renegada. Desgostosa, dança e seduz o rei Herodes, a quem pede a cabeça do amado numa bandeja. Quem conhece a história sabe que João Batista de fato perde a cabeça. Mas o filme de Carlos Saura tem mais para ser visto. Há o poder do flamenco. Mas também há a excelente fotografia com que Saura brinda o espectador: luz, tom, cor, densidade, tudo está lá no mais correto uso. E para quem curte os filmes do lado de cá do oceano, a semana traz apenas duas estréias, nenhuma delas de muito peso. Caçado é um suspense com Tommy Lee Jones e Benicio Del Toro. Um professor de táticas de guerra aposentado tem que encarar um ex-aluno que depois de uma carreira militar torna-se assassino. Já em Uma Saída de Mestre, um elenco estrelado ? Charlize Theron, Edward Norton, Mark Wahlberg e Donald Sutherland ? dá estrutura de ação a este remake de Um Golpe à Italiana, de 1969. O original desagradou a crítica e público. Este, pelo menos devido ao elenco, promete um pouco mais.

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