"Eu, Tu, Eles" faz sucesso em festival internacional

O filme Eu, Tu, Eles, do brasileiro Andrucha Waddington, foi recebido com aplausos pelo público na sua exibição no Festival de Cinema de Karlovy Vary, na República Tcheca, nessa semana. Os depoimentos do diretor à imprensa local, comentando que o filme se baseia numa história real, também chamou a atenção dos interessados. Eu, Tu, Eles já arrancou diversos elogios da crítica no Festival de Cannes, no começo do ano, quando participou da mostra paralela Un Certain Regard. O filme, que conta a história de uma mulher que vive com três homens ao mesmo tempo no sertão do Ceará, deve estrear no país em agosto.Waddington disse à imprensa estrangeira que viu sobre a história de Marlene (no filme é Darlene, interpretada por Regina Casé) um programa de televisão, e que se interessou extremamente pelas conotações psicológicas e sociais que a história refletia. "Talvez o fato de que alguns vizinhos das metrópoles estejam tão isolados num território tão extenso seja um dos motivos que possibilita sistuações deste tipo", disse o diretor. O que surpreendeu ainda mais os estrangeiros na história de Darlene é que a situação não é vivida com angústia e nem de maneira trágica, por nenhum dos personagens. E para quem assistiu, foi o mesmo: depois da surpresa inicial, todos se adequaram à história inusitada.Outras produções que foram apresentados ao público desde segunda-feira foram a japonesa Hatsukoi, de Tetsuo Shinohara; e Englar Alheimsins, de Fridrik Fridriksson, uma co-produção da Islândia, Noruega, Suécia, Alemanha e Dinamarca. O primeiro filme decepcionou a imprensa internacional e a segunda também não despertou grande interesse, ainda que tenha se destacado o trabalho dos atores e a fotografia.Apesar de narrar uma história dramática - a busca do primeiro amor de uma mulher que está morrendo de câncer - a hsitória japonesa transcorre numa atmosfera infantil e superficial, cheia de situações melosas e pouco verossímeis. Ao saber que sua mãe está muito doente, a protagonista vai em busca do primeiro noivo da sua genitora pensando que, assim, dar-lhe-á a última felicidade. As aventuras que corre a jovem em seu empenho têm mais a ver com um desenho de Walt Disney que com um filme com um tema tão sério.Já o filme de Fridriksson se baseia no romance de mesmo título de Einar Mar Gudmundsson, e faz o retrato de um esquizofrênico e das reações que produz ao seu redor por causa de sua doença. Internado num asilo, o protagonista divide seu tempo entre curiosos personagens, como um que está convencido de que foi quem escreveu todas as músicas dos Beatles e que se comunica com os integrantes da banda telepaticamente. Outro pensa ser Hitler e um terceiro insiste em ser o autor de uma tese de doutorado sobre Schiller, defendida com êxito na Universidade da China.O Festival de Karlovy Vary termina no próximo sábado (15) com a entrega dos Globos de Cristal aos grandes ganhadores.

Agencia Estado,

12 de julho de 2000 | 21h05

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