"Eu, Tu, Eles" estréia com sucesso em Londres

O filme brasileiro "Eu Tu Eles", dirigido por Andrucha Waddington, estreou em circuito comercial ontem em Londres, aclamado pela maioria dos críticos de cinema britânicos. Não faltaram elogios para a "impressionante" direção de Waddington, a "extraordinária" atuação de Casé e a "maravilhosa" música de Gilberto Gil. Tamanha badalação sobre a história de Darlene (Casé) e seus três maridos no sertão fez com que as três salas de cinema que estão exibindo o filme na região central da capital britânica ficassem lotadas ontem a noite numa época tradicionalmente fraca para a indústria cinematográfica. A principal revista de roteiro cultural do país, a Time Out, dedicou uma página ao filme, considerado o melhor lançamento da semana. "É cinema brasileiro, mas não como estamos habituados a conhecê-lo", disse o crítico Trevor Johnston. Segundo ele, o filme "é um desvio bem-vindo dos filmes brasileiros que fizeram sucesso ao redor do mundo através de crônicas sobre os sofrimentos das classes urbanas de baixa renda, para o deleite de audiências liberais nas salas de exibição de filmes de arte." Isso, segundo ele, não é uma crítica à evidente compaixão e poder emocional de "Central do Brasil" e "Pixote", mas "é rejuvenescedor" ver como Waddington criou "uma história sutil e densa sobre uma trégua improvável" na batalha dos sexos. Segundo Johnston, "exibindo uma maturidade extraordinária para um jovem diretor, o filme flui com naturalidade espontânea, em parte pela convicção que Regina Casé traz para a principal personagem".O crítico da Time Out observou que o Brasil "precisa de mais paixão" em seus filmes. "Nos últimos cinco anos com Walter Salles e Carlos Diegues (Orfeu) as coisas estão acontecendo novamente", disse. "O filme Central do Brasil abriu as portas internacionais pela primeira vez em quinze anos, mas vai levar tempo para se criar uma indústria."Já o jornal The Guardian, ao analisar o filme, disse que "é uma conquista remarcável retratar essa sociedade árdua e machista tão candidamente e ainda assim nos convencer que o esquema doméstico de Darlene é perfeitamente plausível". Segundo o diário, "o poder desse filme estranho" é envolvente, "induzindo a um agradável transe".O jornal The Independent, por sua vez, afirmou que a "Oprah Winfrey" do Brasil é uma mulher do campo que casa com um pastor preguiçoso, tem filhos de pais diferentes e acaba com dois maridos adicionais sob o mesmo teto, cada um atendendo diferentes necessidades. "Certamente um maravilhoso toque cômico", disse o jornal.

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