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'Eu pretendia fazer uma ficção científica', afirma o diretor do filme 'Relatos Selvagens'

Diretores dos filmes estrangeiros indicados ao Oscar deste ano se reuniram com o cineasta Mark Johnson no Samuel Goldwyn Theater

Ubiratan Brasil - ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 21h05

LOS ANGELES - Já se tornou tradicional. Na manhã do sábado que antecede a entrega do Oscar, os diretores dos filmes estrangeiros indicados se reúnem para a uma conversa com o organizador desta categoria, o cineasta Mark Johnson (Oscar de melhor filme de 1988, Rain Man). E o encontro, aberto ao público, acontece no cinema da Academia, o Samuel Goldwyn Theater. Na manhã deste sábado, 21, houve uma ausência: o diretor de Timbuktu, Abderrahmane Sissako estava em Paris onde, na noite de sexta, seu filme recebeu sete prêmios Cesar, inclusive o de melhor produção.

"Foi uma grande comoção, especialmente porque a França ainda vive o impacto do atentado terrorista de janeiro", avisou Johnson, contando ainda que Sissako deveria chegar na noite deste sábado em Los Angeles, a tempo da festa de amanhã do Oscar.

Em seu discurso de abertura, Johnson destacou que raramente os cinco finalistas de filme estrangeiro (os demais concorrentes são Leviatã, Ida, Tangerines e Relatos Selvagens) exibem tamanha conexão em seu assunto principal, mesmo contando histórias tão diversas. "A falência da forma de governar, seja a que for, costura todas as cinco produções, assim como a falta de fé e uma sensação de derrota", observou o organizdor. "Eles também descrevem o mundo atual com personagens críveis e facilmente reconhecidos em qualquer nação. E alguns ainda são pura poesia."

No início do debate, Mark Johnson questionou os quatro convidados presentes sobre a forma escolhida para narrar sua história. O polonês Pawel Pawlikowski, de Ida, contou que, como a história se passa nos anos 1960, preferiu uma narrativa daquela época, com longos planos e muito silêncio. Também não adotou a tela grande e ainda optou por rodar em preto e branco. "Isso afugentou alguns investidores", lamentou.

Nesse momento, Johnson lembrou que Nebraska, concorrente ao Oscar de melhor filme no ano passado, teve seu orçamento dobrado depois que o diretor Alexander Payne insistiu em utilizar o preto e branco.

Já o russo Andrey Zvyagintsev, de Leviatã, revelou ter ganhado apoio do ministério da Cultura do seu país, ainda que o resultado final tenha sido mal recebido pelas autoridades. "Eles disseram que não representava a Rússia", disse o cineasta, que detalha a corrupção de um governo local.

Nascido na Georgia, Zaza Urushadze, diretor de Tangerines, contou ter realizado seu filme, entre outras razões, por motivos pessoais. O filme é ambientado na Georgia, em 1992, em pleno conflito com separatistas depois da dissolução da União Soviética. Conta a desventura de dois imigrantes estônios que decidem ficar no país até chegar o momento da colheita de suas tangerinas. O longa, que ainda não estreou no Brasil, é uma produção da Estônia e é a primeira vez que o país recebe uma indicação ao Oscar - da mesma forma que a Mauritânia, representada por Timbuktu. "Perdi muitos amigos nesse conflito", contou Urushadze, que preferiu filmar no próprio local onde se passa a história.

Já o argentino Damián Szifron, diretor de Relatos Selvagens, explicou que o filme nasceu de uma série de projetos. "Eu pretendia fazer uma ficção científica, também um western e ainda uma história entre um homem e uma mulher", contou. "Como eram muitos projetos, a fim de viabilizar alguma produção, condensei todas as histórias e as melhores formaram Relatos Selvagens."

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