Estúdios de Hollywood lançam aviso sobre negociações com atores

Faltando uma semana para o inícioda próxima rodada de negociações trabalhistas em Hollywood, osgrandes estúdios fizeram um apelo aos atores, na segunda-feira,a aderir às linhas gerais dos acordos já fechados com osdiretores e os roteiristas, evitando novas disputas. A mensagem implícita na carta aberta divulgada pelaentidade que negocia em nome dos estúdios, a Aliança deProdutores de Cinema e Televisão (AMPTP), parece ser quereivindicações que ultrapassem muito os termos já ratificadospelos dois outros principais sindicatos de Hollywood estarãofora de questão. "Se nosso setor se basear nesses termos, poderemos evitarmais greves prejudiciais e desnecessárias", concluiu a AMPTP emseu comunicado, que deixou abertas as portas para "concessõesrazoáveis que sejam necessárias". Não houve resposta imediata do sindicato dos atores, o SAG,que em 15 de abril vai começar a negociar com os estúdios umnovo contrato coletivo com vigência de três anos, abrangendo120 mil atores de cinema e televisão. Lideranças do SAG disseram que vão tentar avançar além dostermos acordados este ano pelos sindicatos dos roteiristas edos diretores. Esses acordos, incluindo um fechado em fevereiro que pôsfim aos 100 dias de greve dos roteiristas que paralisaram boaparte do cinema e da TV em Hollywood, giraram em torno dedispositivos chaves dando aos roteiristas e diretores maisdinheiro por seus trabalhos distribuídos pela Internet. Mas a carta sugere que os estúdios não vêem espaço paraoutras concessões de monta.Além de buscar uma parcela maior dos dólares gerados peloentretenimento na Internet, o SAG diz que quer elevar oshonorários residuais recebidos por atores por filmes eprogramas de TV vendidos em DVD. É uma reivindicação da qual osroteiristas foram obrigados a abrir mão. O sindicato de atores também quer que seus filiados recebamuma participação na receita publicitária do merchandising deprodutos que são obrigados a fazer em filmes e programas de TV. O último contrato coletivo com a SAG foi negociado emapenas duas semanas. Hoje, porém, o sindicato é controlado poruma ala mais militante que se opõe aos termos do último acordocoletivo e já prometeu adotar postura mais dura na mesa denegociações. As perspectivas de uma negociação rápida aparentementeforam favorecidas quando o sindicato menor de atores, o AFTRA,decidiu recentemente iniciar negociações por conta própria comos estúdios, em 28 de abril, em lugar de negociar juntamentecom o SAG, como fez no passado. O AFTRA representa cerca de 70 mil atores, dos quais maisde metade também é filiada ao SAG. Dentro do clima de receio de novas paralisações, osestúdios, em sua maioria, estão se negando a iniciar qualquerprodução que não possam ter a certeza de concluir antes dotérmino da vigência do contrato coletivo com os atores, em 30de junho, data a partir da qual poderia ser decretada uma grevedos atores.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.