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Estúdios de animações apostam em roteiros caprichados e envolventes

'Minions', de Pierre Coffin e Kyle Balda, deve entrar em cartaz no Brasil a partir do dia 25 de junho

Mariane Morisawa / LOS ANGELES, Especial para O Estado de S. Paulo

14 de junho de 2015 | 03h00

Os filmes de animação têm sido aplaudidos pela originalidade nos últimos anos, pelo menos quando consideradas as produções lançadas pelos estúdios de Hollywood. Raramente deixam de surpreender, seja pelo avanço técnico ou pela coragem narrativa. Nas próximas semanas, estreiam dois novos exemplares: Divertida Mente, de Pete Docter e Ronnie Del Carmen, vem da Pixar – e chega ao Brasil na próxima quinta-feira, dia 18 – e Minions, de Pierre Coffin e Kyle Balda, é produzido pela Illumination para a Universal – que deve entrar em cartaz por aqui a partir do dia 25 de junho.

O primeiro se passa no cérebro de uma garota, Riley, de 11 anos, e tem como personagens principais cinco emoções: Alegria, Tristeza, Raiva, Medo e Nojinho. “Todo o mundo adorou a ideia, mas John Lasseter (diretor criativo da Pixar e da Disney Animation) foi o primeiro a dizer: ‘vai ser difícil de fazer’”, contou o produtor Jonas Rivera, que trabalhou cinco anos no projeto.

Minions é uma história de origem dos personagens que roubaram a cena nos dois Meu Malvado Favorito, ou seja, é uma ‘prequência’. Só que, desta vez, os personagens principais são as criaturas em formato de cápsula que falam uma língua ininteligível, são meio imbecis e sempre seguem os vilões. “Foi um grande desafio. Mas, na animação, temos um grande presente: o tempo. Tivemos três anos, então pudemos fazer besteira algumas vezes”, contou ao Estado Pierre Coffin, que também faz a voz de todos os Minions.

Coffin se refere ao lento modo de produção das animações. Durante os vários anos de desenvolvimento, o roteiro continua a ser reescrito. A Pixar tem o chamado “conselho de cérebros”, que assiste às várias etapas do filme, fazendo críticas. A cada três meses, há uma exibição do material feito até aquele momento, aberta a todos os funcionários do estúdio, dos seguranças a John Lasseter. “Sempre dizemos que, em algum momento, tivemos o pior filme da história em nossas mãos”, costuma afirmar Lasseter. A Pixar e a Disney não hesitam em jogar fora sequências inteiras que não funcionam. 

Cada filme apresenta suas próprias dificuldades técnicas, mas a tecnologia avançou tanto que permite realizar praticamente tudo. O principal, porém, sempre será a história. “O único grande desafio no presente e no futuro é fazer com que ela não se perca em meio às possibilidades oferecidas pela tecnologia”, disse Rivera. Para Don Hall, diretor de Operação Big Hero, “temos artistas incríveis, que podem fazer as melhores cenas de ação, mas o importante são as personagens”. Não à toa, seus modelos são Dumbo e Bambi, ambos da década de 1940.

Jonas Rivera e Pete Docter também citam como inspiração para Divertida Mente desenhos da mesma época, como Pernalonga e Papa-Léguas, criados por Tex Avery e Chuck Jones – e foi difícil conseguir que os programas de animação digital da Pixar se comportassem da mesma maneira exagerada. “Tivemos de fazer a tecnologia funcionar a serviço da caricatura, em vez do realismo”, disse Rivera. O objetivo era que as personagens não parecessem pessoas, mas emoções – Alegria, por exemplo, parece coberta de lantejoulas refletoras de luz.

Até curtas-metragens recentes, como Paperman e Hora de Viajar, recuperam técnicas da animação em 2D. Para fazer os Minions, com seu idioma próprio desconhecido dos meros mortais, Pierre Coffin e Kyle Balda voltaram a expoentes do cinema mudo como Charlie Chaplin e Jacques Tati. Em Como Treinar Seu Dragão, o diretor Dean DeBlois buscou ajuda do fotógrafo Roger Deakins, que faz filmes com atores, para iluminar sua animação.

O Pequeno Príncipe, de Mark Osborne, mistura digital com stop-motion. A Laika, de Coraline e Boxtrolls, usa a tecnologia apenas para dar polimento à antiga técnica de stop-motion. Possíveis sinais de que, no futuro, não importa o nível da tecnologia, a animação continuará se preocupando basicamente com o de sempre: a história. 

“Tecnologia não interfere”, diz o diretor Pierre Coffin

Como evitar que a tecnologia sufoque humanidade dos filmes?

Os personagens precisam de peso e credibilidade, além de características humanas para que o espectador se reconheça neles. A tecnologia não tem nada a ver com isso. 

Ver filmes em smartphones e iPads muda alguma coisa?

Não. Tudo se resume a personagens e histórias. Não tem a ver com a técnica ou onde o público está assistindo.

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