Estúdio adia estréia de 'O Caçador de Pipas' para ator fugir

Paramount zela pela segurança de menino afegão de 12 anos que faz um dos papéis principais do filme

Associated Press,

07 Outubro 2004 | 19h16

O pai de um menino afegão de 12 anos, que estrelou um dos papéis principais do filme O Caçador de Pipas disse que a companhia que produziu o filme adiou seu lançamento até que os dois possam deixar o Afeganistão, porque temem pela segurança do menino.   O The New York Times informou nesta quinta-feira que o estúdio que distribui o filme em grande circuito, a Paramount, adiou o lançamento para dar a três dos garotos afegãos que atuaram em O Caçador de Pipas a chance de fugirem de Cabul, cheios de preocupação de que eles possam ser atacados por causa de uma cena de estupro no filme.   O Caçador de Pipas, baseado no best-seller de 2003 do autor afegão-americano Khaled Hosseini, conta a história de dois meninos e a transformação da sua amizade, após o estupro sofrido por um dos dois. O narrador do romance, Amir, testemunha o estupro de seu amigo Hassan, nada faz para impedir a violência e convive ao longo dos anos com a consciência atormentada.   O Caçador de Pipas deveria ser lançado em grande circuito nos Estados Unidos no final de novembro e uma nova data ainda não foi anunciada. A Paramount "nos prometeu que resolverá qualquer problema que tivermos agora e no futuro," disse Ahmad Jaan Mahmidzada, cujo filho de 12 anos, Ahmad Khan Mahmidzada, faz o papel de Hassan.   Ahmad Khan recebeu US$ 10 mil (R$ 20 mil) para fazer o papel de Hassan. Mas o menino disse à Associated Press no mês passado que jamais faria o papel se soubesse antes que, na história de ficção, Hassan é estuprado. A família de Hassan diz que só tomou conhecimento da cena alguns dias antes da filmagem.   Mahmidzada também está preocupado que a história aumente a tensão étnica no Afeganistão, porque ela aborda, de maneira estereotipada, a convivência entre os grupos étnicos afegãos - no caso da cena polêmica, um valentão Pashtun contra um pobre garoto Hazara.   Os Pashtuns, maior grupo étnico do Afeganistão, e a minoria Hazara estiveram entre várias facções contrárias, na amarga guerra civil da década de 1990. Milhares de Hazaras foram massacrados em meados da década de 1990, quando o grupo fundamentalista islâmico Taleban, predominantemente formado por Pashtuns, tomou o poder. A violência étnica diminuiu desde a queda do Taleban no final de 2001, mas os afegãos temem que o disparo de qualquer gatilho reviva a espiral. Muitos estão furiosos com o filme indiano Expresso de Cabul de 2006, que retrata os militantes Hazaras como brutais e assassinos.

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