Estrelas apóiam greve em Hollywood

Harrison Ford comanda um salário de US$ 25 milhões por filme. Mel Gibson cobra US$ 22 milhões. Julia Roberts, US$ 20 milhões; Jodie Foster, US$ 12 milhões; Tom Hanks embolsa US$ 20 milhões. Com um salário desses, é difícil imaginar por que Hanks, que concorre ao Oscar de melhor ator este ano pelo filme Náufrago, andou empunhando um cartaz com uma palavra muito comum aos metalúrgicos do ABC, estivadores poloneses e carteiros russos: greve. "Esse salário astronômico só é pago a 1% dos 135 mil atores desse país", explica Hanks em entrevista ao Estado, em Los Angeles. "A maioria ganha uma miséria, por isso andei em passeatas pela greve."A partir de 2 de julho, Hollywood pode parar e acumular prejuízo, em perdas diretas, de US$ 250 milhões por semana, caso os dois maiores sindicatos da indústria de entretenimento americana decidam que seus membros cruzem os braços. Os 11,5 mil filiados à Liga de Roteiristas da América (o DGA) têm seu contrato com a Associação Cinematográfica Americana expirado à zero hora do dia 1º de maio. Caso não haja um acordo com os sete grandes estúdios e as cinco maiores emissoras americanas, os profissionais que criam os diálogos de filmes e séries de TV colocam seus computadores e laptops em stand by por tempo indefinido. O mesmo ocorre com a Liga de Atores de Cinema e TV (o SAG), cujo contrato expira dois meses depois.O motivo mais forte das discussões entre sindicatos e os grandes estúdios de Hollywood é o aumento do pagamento dos residuais para atores e roteiristas. Residual é o termo usado na indústria do show biz para os pagamentos que escritores e atores ganham por subseqüentes exibições de seus trabalhos após a estréia oficial de um filme ou série de TV, ou seja, quando ele é lançado em vídeo, DVD ou volta aos cinemas cinco, dez anos depois do lançamento original."Com a expansão de Hollywood em todo o mundo e o surgimento de novas mídias, era evidente que surgiria um embate", diz Kevin Costner, ator que ganha US$ 15 milhões por filme e que apóia a greve, em entrevista conduzida pelo Estado em Los Angeles. "Hoje, nossos filmes estão sendo exibidos nos aviões, com cada passageiro pagando US$ 4 para assisti-los; estão em DVD, sendo vendidos por US$ 22; e disponíveis em pay-per-view nos canais a cabo de milhares de lares e centenas de hotéis por US$ 7,99; e, em breve, qualquer um poderá fazer um download na Internet e vê-los por um preço ainda a ser estipulado", prossegue. "O que acontece agora é que os estúdios repassam uma mixaria dos lucros dessas mídias para nós profissionais", conclui o ator e diretor de Dança com Lobos.Leia mais

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