Estréias da semana colecionam prêmios e elogios

A superprodução O Dia Depois de Amanhã chega fazendo barulho aos cinemas brasileiros, hoje. Mas para além de Hollywood, o circuito recebe quatro filmes premiados e aclamados pela crítica. Dois são brasileiros, O Outro Lado da Rua e Filme de Amor, um é russo, O Retorno, e o quarto, argentino, Histórias Mínimas.Além da estréia na direção de um dos roteiristas de Central do Brasil, filme que levou Fernanda Montenegro ao Oscar, O Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein, marca a parceria de Fernanda e Raul Cortez, ator com quem ela ainda não havia trabalhado no cinema. No filme, ela interpreta Regina, uma mulher solitária que, com o codinome Branca de Neve, presta serviços de informante à polícia e vê sua vida se transformar quando observa o que julga ser um assassinato praticado por um vizinho, o juiz Camargo, vivido por Cortez. Um conflito se instala na vida de Regina quando ela se apaixona por Camargo e tem que lidar com dúvida sobre o assassinato. Fernanda Montenegro foi premiada recentemente como melhor atriz no Tribeca Festival de Nova York por seu trabalho no filme, que também venceu o Festival de Recife de 2004, nas categorias melhor filme, atriz e fotografia.Para o diretor Julio Bressane, seu novo trabalho é "um pequeno filme sobre um grande tema", o amor. Em Filme de Amor, o espectador vai encontrar uma sensibilidade visual muito grande e com uma série de referências cultas, que exercem um papel indispensável no interior da obra. O filme é um sucesso de crítica. Foi apresentado na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes do e os jornais franceses o encheram de elogios, "descobrindo" em Bressane um autor original, de grande força criativa e que atingira o auge da sua arte. Por aqui, Filme de Amor ganhou o mais importante festival do País, o de Brasília, em 2003. No filme, Bressane arma uma situação inusitada para elaborar um ensaio poético e cinematográfico sobre o amor. Mostra três jovens, Hilda (Bel Garcia), Matilda (Josie Antello) e Gaspar (Fernando Eiras), que se reúnem, num fim de semana num sobrado do Rio antigo, para se entregarem às delícias do amor e do sexo. Nos intervalos, falam, discutem e citam autores cultos. Apesar do sofisticado ponto de vista intelectual, o filme se entrega ao espectador sem que seja necessário fazer esforços para compreender suas diversas referências.Outra estréia de hoje que surpreendeu em festivais internacionais foi O Retorno, do russo Andrei Zvyagintsev. O longa entrou como azarão no Festival de Veneza do ano passado e acabou ganhando o prêmio máximo, o Leão de Ouro, batendo o favorito, Buongiorno Notte, do italiano de Marco Bellocchio. O filme é denso e a história sobre um pai e dois filhos não fica totalmente clara. O pai (Konstantin Lavronenko) retorna depois de 12 anos de ausência e reassume seu posto diante de dois filhos já crescidos. Um deles, Andrei (Vladimir Garin), o aceita; o outro, o mais novo, Ivan (Ivan Dobronravov), o repudia. Então o pai os leva para uma estranha viagem, talvez para tentar uma aproximação. O filme de Zvyagintsev mexe com o mundo particular do espectador ao levar à reflexão sobre o relacionamento entre pais e filhos, pois o questionamento "o que é um pai?" está presente em todas as cenas.Indo em outra direção, muita gente tem se deixado levar pela aparente despretensão de Histórias Mínimas, delicado filme do argentino Carlos Sorin composto de três episódios pequenos, sobre pessoas comuns. Tendo como cenário a fria Patagônia, Histórias Mínimas fala de um velho senhor em busca do seu cão, que fugiu; de uma dona de casa que vai buscar um liqüidificador ganho em um concurso de TV; e do vendedor que precisa levar um bolo de aniversário para a mulher por quem se apaixonou. As três histórias se cruzam em determinados momentos, recurso comum no cinema contemporâneo, como em Short Cuts, de Robert Altman, que o usou com perfeição. Com diálogos enxutos, um bom trabalho de câmera, colocação do homem comum no centro das tramas, a desglamourização e a vontade de imersão no real, Histórias Mínimas se revela como um dos títulos de ponta do novo cinema latino-americano, que aparecem, aqui no Brasil, com nomes como Beto Brant, Tata Amaral, Fernando Meirelles e Claudio Assis, e, na Argentina, com Sorin, Lucrécia Martel e Pablo Trapero. O filme foi premiado na Argentina, com 8 prêmios Condor, e na Espanha, tanto no Festival de San Sebastian, com o Prêmio Goya de Melhor Filme Estrangeiro.

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