ESTREIA–"Nós Somos as Melhores!" retrata garotas punks da Suécia dos anos 1980

ESTREIA–"Nós Somos as Melhores!" retrata garotas punks da Suécia dos anos 1980

Comédia melancólica sobre o punk do início dos anos de 1980 traz meninas adolescentes de Estocolmo que encontram na cena punk uma saída para suas vidas de classe média

REUTERS

19 de novembro de 2014 | 15h52

No passado o enfant terrible do cinema sueco, Lukas Moodysson viveu altos e baixos desde seu primeiro longa, o ótimo “Amigas de Colégio” (1997).

Ele transitou entre o experimentalismo (no péssimo “Um Vazio em Meu Coração”, que copia a estrutura de reality show) e o mundo global (em “Corações em Conflito”, com Gael García Bernal e Michelle Williams) – nenhum com resultado digno de nota. Em seu novo trabalho, “Nós Somos as Melhores!”, comédia melancólica sobre o punk do início dos anos de 1980, ele volta ao assunto de sua estreia.

Baseado numa HQ da mulher de Moodysson, Coco Moodysson, o enredo acompanha um trio de jovens adolescentes em Estocolmo que encontrou na cena punk uma saída para suas vidas de classe média sem rumo. Bobo (Mira Barkhammar), de olhar triste e aparência andrógina (que em algo lembra o Harry Potter) vive com a mãe divorciada e recebe visitas do pai. Sua melhor amiga é Klara (Mira Grosin), rebelde e dona de um visual extravagante.

Numa cidade onde o frio é uma constante e os idos de 1980 um tempo de incompreensões, as garotas encontram no movimento punk o lugar onde levantar as questões que as afligem – indo na contramão da banalidade que as cerca e desafiando os adultos. De um lado, a repressão da vida acomodada de classe média, de outro, um certo fanatismo religioso da mãe de Hedvig (Liv LeMoyne), uma garota bem comportada que acaba tornando-se amiga da dupla, e com elas forma uma banda.

Tal qual em “Amigas de Colégio”, Moodysson e sua mulher (que parece ter sido a inspiração para Bobo) testam os limites do feminismo. Mas Bobo, Klara e Hedvig são frutos de uma época e uma sociedade patriarcal – e o diretor do filme é um homem –, então, até que ponto são capazes de se libertar das amarras de seu tempo? Fora as convenções que emergem quando um garoto entra em cena e desperta a paixão tanto em Klara quanto Bobo.

Mesmo se não conseguem ir muito longe, as meninas tentam. E como tentam, com suas vozes estridentes e uma canção de protesto – chamada “Hate the Sport”, na qual misturam bombas atômicas e partidas de tênis, numa crítica à burguesia. Em tempos de ascensão da direita, tanto na Europa quanto na América do Sul, fenômeno que também inclui jovens, é inspirador ver um filme sobre uma juventude rebelde que encontra no simples ato de montar uma banda a válvula de escape e a forma de expressão com a qual luta pelos seus direitos e desejos.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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