Estréia Ultravioleta, filme inspirado em Matrix

Misture X-Men com Blade e Matrix e você terá UltraVioleta. Ou melhor, neste caso, a comparação mais adequada seria Power Rangers com algum clipe futurista de Mariah Carey. UltraVioleta tenta se passar por algo inspirado em quadrinhos, cita os X-Men, tem vampiros mestres em artes marciais, como Wesley Snipes, de Blade, e cenas de ação tiradas de Matrix. Mas o resultado está mais para Frankenstein do que para Neo. A UltraVioleta do título é Milla Jovovich, para quem arranjaram um nome meio jamaicano, meio oriental: Violet Song jat Shariff. Ela é uma das pessoas que foram infectadas e sofreram mutações que as deixaram com aparência de vampiro e força extraordinária. A outra metade da humanidade morre de medo dos ´vampiros mutantes´ (a esta altura, parece o enredo de algum filme B de ficção científica dos anos 40), mas não sabe que a doença foi desenvolvida pelo próprio governo, em busca de mais controle. É neste ponto também que o filme se pretende sério e tenta fazer a mesma analogia entre a perseguição sofrida pelos mutantes e pelos judeus, como X-Men já fez antes e com maior acerto. Em certa altura do filme, a heroína ainda faz um discurso raso contra a opressão dos governos. Coisa de quem leu V de Vingança (e o diretor Kurt Wimmer deve ter mesmo lido) e não entendeu. Daí emerge como salvadora da pátria UltraVioleta, que no roteiro original explodiria um prédio do governo (mais V de Vingança), mas agora ficou incumbida de roubar uma arma secreta que poderia exterminar de vez com a raça dos vampiros, que já estão levando a pior na luta contra Daxus, o tirano que está empenhado no extermínio dos mutantes. Mas depois de roubar a tal ´arma´, Violeta começa a ser caçada não apenas por Daxus, mas também pelos seus antigos amigos. Para sua sorte, ela conta com um suprimento infinito de armas e um dispositivo que anula a gravidade. Ambos os recursos parecem ter saído de um videogame, assim como o visual do filme, feito em computadores. Violeta pode tanto andar no teto como de moto pelas paredes dos prédios. A melhor seqüência de UltraVioleta é justamente a vertiginosa perseguição de moto pelas paredes dos prédios, terminando com o veículo passando por meio de um helicóptero. Antes todo o filme fosse assim. Mas mesmo com um número absurdo de capangas mortos no filme - são mais de 700 em uma só seqüência - as lutas não empolgam. Talvez pela necessidade de matar tanta gente em tão pouco tempo, na maioria das cenas há figurantes que parecem saídos do seriado infanto-juvenil Power Rangers. Enquanto Violeta enfrenta um capanga, os outros continuam se movimentando em volta sem atacar, perdidos. Vai ver que é por isso que morrem tantos, o que até motivou o diretor durante uma palestra para alunos da Universidade do Texas, ano passado, a afirmar que talvez UltraVioleta seria o filme com o maior número de mortes da história do cinema. No filme anterior de Wimmer, Equilibrium, já ocorria uma carnificina. Inspirado claramente em Matrix (até o material promocional trazia as célebres palavras "se você gostou de Matrix..."), trazia Christian Bale no papel principal. Foi fonte de inspiração para UltraVioleta, que tem como vantagem a presença de Milla Jovovich no elenco, que parece ter encontrado seu nicho em filmes de ficção científica, como o Quinto Elemento e Resident Evil. Mas nem a presença da atriz resolve a salada de referências mal aproveitadas. Matrix, o original, também é cheio de influências, de quadrinhos (principalmente Os Invisíveis) à filosofia. A diferença é o talento dos diretores. Durante as filmagens, Wimmer pediu para que Milla Jovovich o socasse para saber a potência de seus golpes. Filmou as duas semanas seguintes de olho roxo. Podemos nos sentir vingados.

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