Estréia polêmica versão de filme sobre Niemeyer

Na próxima terça-feira o Instituto Itaú Cultural exibe pela primeira vez uma nova versão do documentário Oscar Niemeyer: o Arquiteto do Século. O filme, a ser exibido na Sala Azul do Instituto às 20h30 do dia 3 de outubro, traz as visões pessoais e sociais deste que é considerado o maior arquiteto brasileiro de todos os tempos. Com depoimentos de amigos, como Ferreira Gullar, Chico Buarque e Gilberto Gil, o filme é amarrado por um depoimento do próprio arquiteto. "Trabalhamos numa entrevista dele que durou 17 horas. Quisemos mostrar que, além do arquiteto mundialmente conhecido, ele é um grande ser humano", diz o editor da versão brasileira, Marcelo Gomes. Esta edição, uma co-produção belga e brasileira, tem um ineditismo polêmico.O documentário de 40 minutos do diretor belga Marc-Henri Wajnberg recebeu os cortes de Gomes, ainda que os dois nunca tenham se conhecido. Tal desconhecimento, ligado ao resultado final de qualidade, poderia conferir à obra uma peculiaridade estimulante, prática e, por isso, louvável. Mas acontece que o diretor belga reinvindica a autoria de uma obra única, chamada Oscar Niemeyer, um Arquiteto Comprometido com seu Século e não reconhece a edição de Gomes. Apesar de admitir que a produtora brasileira, por contrato, tem controle sobre as imagens, para Wajnberg a peça que editou é a única versão que reconhece, "e não gosto de saber que outras versões estão sendo editadas", completa."Vi Niemeyer pela primeira vez no filme de Philippe de Broca L´Homme de Rio", e foi assim que Wajnberg quis conhecê-lo e fazer o documentário. E acrescenta: "gostaria que a minha versão - a única que Oscar Niemeyer reconhece - fosse aquela a ser exibida no Brasil. Esta é a edição que está prestes a ser distribuída mundo a fora".O ineditismo também é questionável pelo fato de uma terceira versão, também editada por Gomes, com 12 minutos a mais que a editada para terça, já ter sido veiculada no Brasil, pelo canal a cabo People+Arts, nos dias 30 e 31/04, 17/05 e 7/09. O desencontro de informações foi devidamente explicado pela assessoria de imprensa do Instituto Cultural Itaú na tarde desta sexta-feira, referindo-se a esta versão mais antiga como "edição original". Segundo a coordenadora de cinema e vídeo do Instituto, Daniela Capelato, esta edição recente seria mais "autoral". Marcelo Gomes assina a "direção de edição" ao lado de Wajnberg, que assina a produção dentro de uma nova designação: "diretor de filmagem". A versão do diretor belga, que tem 60 minutos, continua a ser a inédita de verdade.Segundo Gomes, o motivo de uma segunda edição sua passar no Brasil e não a obra de Wajnberg, deve-se ao fato do diretor europeu ainda não ter finalizado seu filme. "Essa semana, o Itaú Cultural até conversou com ele, para discutir a chance de exibir a versão do belga, mas ele ainda não havia terminado", disse o brasileiro.Ele explica que esse acordo foi firmado por ser um documentário de projeção internacional, e que por isso deve ter tratamentos diferentes para cada lugar onde for exibido. Na América Latina o responsável pela edição seria Gomes, e para Europa, o próprio "diretor de filmagem".O pernambucano Marcelo Gomes, no entanto, deve ser colocado de lado de toda esta discussão, uma vez que somente prestou serviços para a Produtora Polo Imagem, responsável pelo lado brasileiro. Gomes tem se destacado no Brasil devido às suas recentes produções em curta-metragem, como Clandestina Felicidade (1998), premiada no Festival de Miami, de Santiago del Chile e em Gramado. Recentemente, seu primeiro roteiro para um longa-metragem em ficção ficou em segundo lugar no concorrido concurso do Sundance Institute, chamado O Cinema, a Aspirina e os Urubus.Já Wajnberg ficou mundialmente famoso pelas sua série de vinhetas Clap, sempre contando divertidas histórias sobre um artista que nunca tem êxito em suas obras. Hoje a série soma mais de 1,7 mil curtas. Os brasileiros conheceram este trabalho pela primeira vez em 1986, na Mostra Internacional de São Paulo. Suas realizações mais recentes também já ficaram famosas e foram veiculadas em canais de TV do mundo todo. É o caso de Evgueni Khaldei - Fotógrafo Sob Stálin (1997), sobre o russo que virou o mais famoso fotógrafo da Segunda Guerra, visto por mais de 20 países. Apesar de no momento estar preparando uma ficção, os outros longas que realizou nos últimos anos são em sua maioria documentários, como La Momie Perdue (1999) e Le Tour du Monde en 80 Bières (1999).

Agencia Estado,

29 de setembro de 2000 | 23h34

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