Estréia o road-movie mexicano "E Sua Mãe também"

No começo de E Sua Mãe também,de Alfonso Cuarón, que estréia nesta sexta-feira, você vê doisadolescentes fumando um baseado e falando de sexo. Absolutamentedesbocados, aliás com as bocas tão sujas de palavrões de todotipo, que se tornam francamente engraçados. Gael Garcia Bernaz eDiego Luna são os meninos Julio Zapata e Tenoch Iturbide,malandros os dois, classe média, em busca de aventuras edisponíveis. Um deles, Tenoch, tem um primo casado com umaespanhola de virar a cabeça, Luiza Cortes (Maribel Verdú). Comoela está de mal com o marido, pois este a passou para trás,decide acompanhar os dois garotos numa viagem à praia. Esse é omote para o road-movie sexual proposto por E Sua Mãetambém.O filme tem qualidades. E tanto tem que levou váriosprêmios no Festival de Veneza deste ano: dupla premiação para osatores, que dividiram o troféu de revelação. E mais um troféupara o roteiro, escrito pelo próprio diretor Alfonso Cuarón. Beminteligente e engenhoso, por sinal.Por que Cuarón sabe que não basta jogar seus personagensna estrada e colocar alguma química hormonal entre eles. Julio,Tenoch e Luiza fazem sentido em um país determinado, chamadoMéxico. Há o México vital, entusiasta, sensual e barroco e esteestá nos meninos e na maneira como transformam uma, a princípiotímida, Luiza num vulcão de sensualidade. E há o México carente,com sua gente pobre e desassistida, espalhada à beira da estradapela qual passa o trio de protagonistas.Eles vão em busca de uma praia perdida, paradisíaca emtese, que os garotos inventaram para seduzir a mulher. O fato deque a praia realmente exista não é o menor dos elementos mágicosdesse filme simples e inspirado. Cuarón evoca a sensualidade, osritos de passagem de descoberta do corpo pelos adolescentes, mastambém uma saudável busca do idílico, daquilo que está foradeste mundo árido em que se é obrigado a existir.Então se trabalha com esses dois planos, o da fuga e ada realidade, esta mostrada apenas de maneira fugidia, pelaestrada. Mas é um fugidio cheio de significado, que impregna ahistória a que se está assistindo.Claro, não é um filme perfeito e já foi acusado desuperficialidade, o que parece um tanto pesado. De fato, E SuaMãe também se propõe a ser uma comédia, e com isso conseguiudialogar com seu público. É um grande sucesso do cinema mexicanorecente, tendo levado 4 milhões de pessoas aos cinemas do seupaís. Popular sem ser popularesco, é engraçado, mas toca emtemas sérios como a sexualidade e a vocação de liberdade do serhumano, mesmo quando confrontado a situações trágicas. Essadimensão só aparece ao espectador no fim e dá uma grandezaadicional à personagem de Maribel Verdú.E Sua Mãe também (Y Tu Mama también). Drama. Direçãode Alfonso Cuarón. Méx/2001. Duração: 105 minutos. 18 anos.

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