ESTRÉIA-'O Longo Amanhecer' relembra obra de Celso Furtado

"O Longo Amanhecer -- Uma Biografiade Celso Furtado", vencedor de uma menção honrosa no festivalde documentários É Tudo Verdade de 2007, traça um perfilaprofundado do economista paraibano, morto em 2004, aos 84anos. O filme de José Mariani estréia no Rio de Janeiro e SãoPaulo, na sexta-feira. Bacharel em Direito, ele tornou-se doutor em Economia pelaSorbonne e esteve por trás de inúmeras idéias e projetos para odesenvolvimento do Brasil, especialmente a partir dos anos1950. Furtado foi o mentor de planos de desenvolvimento regional,como a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento doNordeste), sendo seu primeiro dirigente, em 1959. Nesse mesmoano, publicou o livro "Formação Econômica do Brasil", até hojeconsiderado uma obra essencial para a compreensão do país. Atuando em órgãos governamentais, foi presidente do BancoNacional de Desenvolvimento sob o governo Juscelino Kubitschek,tornando-se ministro pela primeira vez já na gestão de JoãoGoulart, quando ocupou a pasta do Planejamento. Depois do golpe de 1964, Furtado foi cassado por dez anos,exilando-se primeiro no Chile, depois viajando pela Europa e osEstados Unidos, onde se tornou pesquisador na prestigiadaUniversidade de Yale. Contando com rico material de arquivo, o filme reconstituia época de atuação de Furtado, que voltou ao Brasil em 1981,tornando-se novamente ministro, desta vez da Cultura, nogoverno José Sarney. A espinha dorsal deste documentário está numa longaentrevista feita com o economista em 2004, cinco meses antes desua morte. Apesar da voz vacilante, Furtado mostra-se perfeitamentelúcido, discorrendo sobre seus temas da vida inteira,especialmente a necessidade do Brasil superar as desigualdadessociais em sua rota de desenvolvimento. A avaliação da obra do economista é realizada através deentrevistas com intelectuais como Francisco de Oliveira, JoãoManuel Cardoso de Mello, Antônio Barros de Castro, HélioJaguaribe e outros. As participações mais apaixonadas vêm da economista Mariada Conceição Tavares, que enfatiza a importância do legado deseu mestre, a quem chama carinhosamente de "Velho". (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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