Estréia no Rio "Ninguém Escreve ao Coronel"

Estréia no Rio nesta sexta-feira Ninguém Escreve ao Coronel, filme de Arturo Ripstein (O Evangelho das Maravilhas). Baseado no romance homônimo de Gabriel García Marquez, a história tem como centro um coronel (Fernando Luján) que espera ansiosamente, durante 27 anos, pela sua aposentadoria. Ele e a mulher , uma espanhola vivida por Marisa Paredes, arruinados financeiramente, só têm um galo de briga como esperança de sobrevivência. E o coronel segue aguardando que voltem as rinhas de galo no povoado. Foi selecionado para o festival de Cannes em 99.O ritmo é lento, de espera, de angústia. Um ritmo que valoriza os personagens, fortes e sobreviventes. Trata-se antes de mais nada de uma história de amor entre um coronel e sua mulher Lola. Difícil não associar a imagem da mulher à influência do mestre Buñuel à sua obra. "Meus personagens são, geralmente, lutadores da razão e da prudência", diz o diretor. "Se o mundo está acabando para eles, eles não recuam". Os personagens vivem da saudade: a mulher, da lembrança do filho morto, o marido, dos ideais de uma guerra particular.Ninguém escreve... levou o prêmio de melhor filme latino no último Festival Sundance, junto com o La Ley de Herodes, de Luiz Estrada. Só há pouco tempo, desde o lançamento do instigante O Evangelho das Maravilhas (1998), o Brasil começa a conhecer a obra de Ripstein, cineasta respeitado entre os europeus e americanos. Nesse filme, o diretor mexicano mantém sua opção pelos ambientes pesados e escuros, criando um clima angustiante e exigindo uma fotografia cuidadosa. Integram-se ao ambiente, os personagens esfarrapados, subversivos e contestadores de García Marquez e Buñuel.A relação do coronel com seu galo, que é tratado como um filho, dá um tom mais suave à história e é responsável pelos momentos divertidos do filme. Sonhando ganhar dinheiro com as brigas de galo, o coronel vive cuidando do animal até o retorno das rinhas. Sua mulher é a parte realista da relação, uma atuação primorosa de Marisa Paredes (De Salto Alto), a preferida do diretor espanhol Pedro Almodóvar. Também no elenco, Salma Hayek dá um tempo nas produções americanas e volta ao cinema latino. Volta literalmente para casa: Veracruz, no México, seu lugar de nascimento e locação do filme.

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