ESTREIA-Nem atriz talentosa consegue superar trama fraca de 'Angie'

Há de se notar algo que pode se chamar de evolução no segundo filme do ator Marcio Garcia na direção, "Angie". Em seu primeiro trabalho, "Amor por Acaso", a cena mais marcante acontecia no final, quando o próprio Marcio aparecia num deslocado merchandising de xampu, pouco antes dos créditos.

Reuters

11 de abril de 2013 | 13h23

Em seu novo filme, também há duas propagandas: uma inserida na trama e outra nem tanto. A primeira mostra um creme de barbear e a outra envolve a cidade de Vitória, que funciona como um cenário bonito e exótico onde moram a mãe (Christiane Torloni) e a irmã (Carol Castro) de Angie (Camilla Belle, de "À Deriva"), a protagonista que viaja aos Estados Unidos em busca do pai que abandonou a família.

"Angie" é basicamente um road movie no qual Angie pula de cidade em cidade, seguindo as pistas de seu pai. Na primeira parada, trabalha numa lanchonete, onde recebe cantadas inconvenientes, e sua melhor amiga, Louise (Kristi Clainos), quer arrastá-la para a igreja mais próxima. Ela também faz um amigo, Chuck (um barbudo Andy Garcia), eremita local, sem família ou amigos mas que se aproxima da garota e serve até de modelo para as pinturas dela.

Quando Angie se cansa da cidade, resolve cair no mundo. Na estrada, conhece o patrulheiro David (Colin Egglesfield), que em lugar de aplicar uma multa, se apaixona pela garota, arruma um emprego para ela no restaurante da prima (Juliette Lewis), paga o conserto de seu carro, dá casa e comida, e, em pouco tempo, está com um anel de noivado para colocar no dedo dela.

Isso, é claro, assusta a moça -como aconteceria a qualquer pessoa de bom senso- e, novamente, ela vai embora, para alegria da prima do patrulheiro, que sempre achou que Angie não era bem uma garota de família.

O roteiro de Julia Camara ("Área Q") faz questão de não só flertar, mas também namorar e casar com todos os clichês que coloca pelo caminho: garota sensível em busca do pai, eremita sujo mas de bom coração, prima mesquinha, jovem doce e ingenuamente apaixonado, mãe desesperada, até chegar a um final surpresa, que mais parece um furo no roteiro -tudo isso banhado por um clima típico de filmes independentes norte-americanos.

Nada disso seria um problema, se as figuras fossem mais bem resolvidas enquanto personagens. Camilla é boa atriz e se esforça mais do que "Angie" merece. Mas sozinha não é capaz de superar as limitações que independem dela.

(Por Alysson Oliveira)

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