Estréia mais um filme do clã Coppola

A família Coppola garante o lugar nofuturo do cinema americano com a estréia de mais um cineasta.Roman Coppola, o filho de 36 anos do diretor de O PoderosoChefão, leva às telas do país seu primeiro longa-metragem,CQ, que tem como desafio também as comparações com AsVirgens Suicidas, o filme de estréia da irmã, Sofia. O jovemcineasta, que diz que o sobrenome famoso serve tanto para ajudarquanto para atrapalhar, não fez feio. A produção ambientada naParis do final dos anos 60 é um dos bons filmes independentes emcartaz no momento nos Estados Unidos.Roman passou anos dirigindo comerciais e videoclipes até decidirtrabalhar em seu primeiro longa-metragem - um movimentoinevitável em uma família que, de acordo com ele, "respiracinema". Além do pai e da irmã, ele tem a influência da mãe,Eleanor, que dirige documentários, e do cunhado, Spike Jonze, oaclamado realizador de Quero Ser John Malkovich. Para um dospapéis secundários de CQ, ele escolheu o primo, JasonSchwartzman, que é filho de Talia Shire, estrela de O PoderosoChefão.O contato e o acesso proporcionado pela fama e pela produtora deFrancis Ford Coppola (American Zoetrope) podem ter ajudado noprocesso de realização do filme, mas, segundo Roman, houvemomentos difíceis. "Meu pai foi duro comigo", disse o diretorao jornal New York Post. "O roteiro estava pronto para serfilmado e ele dizia que eu deveria trabalhar mais nele, queriaque eu ficasse refinando a história." Quando o filme foimostrado no Festival de Cannes de 2001, deu o azar de serexibido logo depois de Apocalipse Now Redux, a nova versãodo clássico do pai. "Dei várias entrevistas e todas asperguntas eram referentes a Apocalipse Now", disse Roman, que, por sinal, fez uma ponta na produção, aos 11 anos. CQ também rende comparações com As Virgens Suicidas, queSofia concluiu há dois anos. Os dois filmes têm uma fortepreocupação estética (com fotografia inspirada em editoriais demoda, ainda que de épocas distintas), trilha sonora assinada pormodernos grupos franceses (o dela pelo Air e o dele pelo Mellow)e um elenco de atores bonitos.Jeremy Davies, que apareceu em O Resgate do Soldado Ryan,faz o papel de um cineasta americano que trabalha como editor emuma produção futurista chamada Dragonfly, ao mesmo tempo emque tenta dirigir um trabalho "autoral e verdadeiro" sobre suaprópria vida. Ele acaba se apaixonando pela estrela deDragonfly, personagem da supermodelo americana AngelaLindvall, que tem uma atuação excelente para uma estreante vindado mundo fashion. Também estão no filme Billy Zane, GerardDepardieu e Dean Stockwell.Apaixonado pela estética e pelos filmes do fim dos anos 60(Barbarella, Danger: Diabolik e O Diário de DavidHolzman foram algumas das influências de CQ), Romanproduziu uma simpática fábula retrô-futurista que é uma espéciede homenagem ao mundo do cinema. Recheado de situações e termosque são mais familiares para os profissionais da área, o roteiro escrito pelo próprio cineasta não chega a ser brilhante, mas ébem elaborado. "Sabia que iria receber críticas por fazer um filme sobre omundo do cinema, mas acho que tinha de seguir meu coração",defende-se Roman.

Agencia Estado,

29 de maio de 2002 | 12h35

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