ESTREIA-Jude Law abusa do humor negro em "A Recompensa"

Depois de passar 12 anos encarcerado por não entregar seus comparsas de crime, Dom Hemingway, protagonista de “A Recompensa”, volta às ruas de Londres para receber o que lhe parece devido por sua lealdade. Vociferando contra qualquer um à frente, espanca antigos desafetos e insulta seu último empregador, em diálogos que expelem a fúria decantada pelo confinamento.

Reuters

14 de maio de 2014 | 17h13

A violência que acompanha o personagem é, na verdade, a grande virtude do filme escrito e dirigido pelo norte-americano Richard Shepard, que abusa do humor negro inglês nesta comédia estrelada por Jude Law. Estimulado pela bebida e cocaína, que consome em quantidades superlativas, Dom é um anti-herói que desconcerta, mas diverte pela total falta de censura.

Além de perseguir sua gratificação com o criminoso milionário Mr. Fontaine (Demian Bichir), o qual não entregou na época da prisão, Dom ainda quer reatar seu relacionamento com a filha Evelyn (Emilia Clarke, a Daenerys Targaryen da série de TV “Game of Thrones”), que o odeia. Mas, vítima de seu próprio descontrole, alcançar esses objetivos torna-se aparentemente improvável.

O filme conta também com Dickie (Richard E. Grant) inseparável amigo de crimes de Dom, um respiro à celeridade do protagonista. Como seu oposto, o bem interpretado coadjuvante está no centro das situações vexatórias em que se colocam, mantendo uma elegância excêntrica, que o define.

Curiosamente, Dom Hemingway mostra grandes semelhanças com o personagem vivido (corajosamente) pelo ator Tom Hardy em “Bronson” (2008), filme de Nicolas Winding Refn (de “Drive” e “Só Deus Perdoa”). Da verborragia com sotaque da periferia londrina à vida na prisão, ambos exploram o mesmo caldo, com resultados díspares, em especial à oscilação entre o drama e o humor negro.

Como o grande destaque de “A Recompensa”, a vigorosa atuação de Jude Law sustenta toda a trama criada por Richard Shepard. Porém, quando o filme vai chegando ao fim, perde muito de seu ímpeto, resolvendo os conflitos de forma morna. Para uma produção que apresenta seu personagem com um monólogo de dois minutos sobre o próprio pênis, faltou ferocidade para o desfecho.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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