Estréia "Jogo Subterrâneo" de Roberto Gervitz

As cenas iniciais do longa são cinema puro. Poucos diálogos, muita ação ao longo do emaranhado das linhas. Com direção preciosista e milimétrica, o tabuleiro se desvenda aos poucos, quase num balé subterrâneo. O diretor, Roberto Gervitz, diz que se preparou para essas filmagens como quem se prepara para a guerra. "Não podíamos errar. Além de contar apenas com as madrugadas para filmar, não podíamos atrapalhar o funcionamento do metrô", conta. O diretor ganhou prestígio com seu primeiro filme, Feliz Ano Velho, em 1987, que foi visto por 1 milhão de espectadores.Jogo Subterrâneo é sobre o jogo obsessivo que o pianista Martín (Felipe Camargo) inventa para sua própria vida. Seu tabuleiro são as linhas subterrâneas de São Paulo. Martín escolhe uma mulher que o atraia e torce para que ela faça o mesmo trajeto que ele. Se ela o fizer, é a mulher de sua vida. O fime Jogo Subterrâneo, baseado no conto Manuscrito Achado num Bolso, do argentino Julio Cortázar, traduz o embate eterno entre o sonhado, o idealizado e o mundo real. O metrô, numa metáfora grosseira, é o próprio subconsciente de Martín, onde ele tem controle sobre o jogo que inventou para si. Quase impossível de ganhar, mas livre do acaso caótico. A atriz Maria Luísa Mendonça contracena com Felipe Camargo na tela. O filme tem ainda Maitê Proença e Julia Lemertz. O metrô de Gervitz é, ironicamente, o espaço mais organizado, onde Martín tenta dar sentido ao seu jogo. É fora dele que a vida acontece, que o caos se instala. Para o diretor, Jogo Subterrâneo é uma história de amor. Inusitada, é verdade, mas ainda assim de amor. "É o processo de descoberta de Martín. Não é óbvio, mas não é um enigma. O discurso é sempre o da emoção. Não é cético".

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