Estréia <i>O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias</i>

O filme de Cao Hamburger que estréia nesta quinta-feira, O Anoem Que Meus Pais Saíram de Férias, não é autobiográfico, nosentido de que Cao não é Mauro, o garoto que é protagonista dahistória. Mas ele vivenciou muita coisa daquela época e quecolocou no filme. Até o amor de Mauro pelo futebol, o seu desejode ser goleiro, o fascínio da Copa mítica de 70. O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias evoca Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios, de Emir Kusturica. Filho de um casal de físicos, Cao recebeu dos dois umasólida formação humanista. É significativo que os quatro irmãose eles tenham se orientado para atividades artísticas. Tinha umaavó judia e outra (a italiana), católica - e até nisso o filmese alimenta de suas lembranças. Como Mauro, o garoto não judeuque é acolhido pela comunidade judaica do Bom Retiro, ele viveusempre um pouco dividido. Entre duas culturas, duas religiões,mesmo que, no fundo, não se sentisse ligado a nenhuma. Criadorde séries como Castelo Rá-Tim-Bum e Filhos do Carnaval, Caotem uma queda pela infância. É um universo que ele entende esabe expressar. "Cao tem muita paciência", diz a garota Daniela Piepszik atriz no filme. "Cao sabe tirar da gente o que a gente nem sabeque pode dar", acrescenta Michel Joelsas, o Mauro da ficção. Ofilme concorre ao troféu Bandeira Paulista, na MostraInternacional de Cinema, que termina nesta quinta-feira. Concorre também ao Prêmio Petrobras de Difusão Cultural, que vai dar R$ 400 mil à melhor ficção brasileira, a título de incentivo à distribuição. A de "O Ano..." já está assegurada. O filme estréia em 70 salasde todo o País. No Festival do Rio, recebeu o prêmio do público.É um caso, não muito freqüente, de filme brasileiro que unepúblico e crítica no mesmo entusiasmo.

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