Estréia <i>Happy Feet: o Pingüim</i>, desenho divertido e ecológico

Há 4 anos, George Miller estava napré-produção de Mad Max 4. O início das filmagens na Áfricatinha data marcada. Mel Gibson, então com 46 anos, ainda estavaem condições de segurar o papel do indomável guerreiro que oprojetara para o estrelato internacional. Então, veio a Guerrado Iraque. O dólar despencou, os preços subiram e a burocraciaresultante de medidas de segurança insanas dificultou o trânsitointernacional de mercadorias e cargas. Àquela altura, só restavaabandonar o barco. Foi assim que Miller abraçou o projeto deHappy Feet - O Pingüim, um musical animado digitalmente commensagem ecologicamente correta. Ambientado na Antártica, Happy Feet conta a históriade Mano, um pingüim Imperador de olhos azuis que não conseguecantar, como é tradição na sua enorme comunidade. No entanto,tem uma habilidade inata para o sapateado. Por causa disso,acaba sendo proscrito e vai procurar guarida entre ospingüins-de-Adélia, uma espécie menor. Na versão original eminglês, Elijah Wood empresta a voz a Mano, enquanto RobinWilliams faz as vozes de dois personagens: Ramón, o líder dospingüins-de-Adélia, identificados com os latinos, e Amoroso, umpingüim-saltador-de-rochas que funciona como uma espécie delíder messiânico para os animais. Na versão brasileira, Danielde Oliveira dublou Mano e Sidney Magal, Amoroso.Inspirado nos grandes musicais da Metro Embora seja identificado com os filmes de ação por tercriado a franquia de Mad Max, Miller já percorreu outrosgêneros em títulos como Babe - O Porquinho Atrapalhado e odrama baseado em fatos reais Óleo de Lorenzo, além do jáclássico As Bruxas de Eastwick. Um musical animadodigitalmente não seria um desafio tão grande, especialmente paraquem cresceu assistindo às reprises dos grandes musicais daMetro na TV. "Não sou exatamente um fã dos musicais, mas assistimuitos deles", disse em entrevista, numa suíte do luxuosoBeverly Wilshire, em Los Angeles. "Claro que coloquei muitasreferências a esses clássicos em Happy Feet. Estão lá (Vincent)Minelli (o coreógrafo e diretor), Busby Berkeley, os musicaisaquáticos de Esther Williams e muitos outros." Depois de passar 7 anos trabalhando em Babe, que lhevaleu indicações para os Oscar de melhor filme e roteiro, Milleravaliou que a experiência com os animais de verdade de suacomédia dramática sobre o porquinho abandonado foram mais fáceisde lidar do que as engrenagens virtuais que compuseram ospingüins antárticos de Happy Feet. "Os animais de Babe erammuito mais fáceis de trabalhar do que se possa imaginar",explicou. "Trabalhar com criaturas geradas por computador é umtrabalho muito cansativo. Mas conseguimos que as criaturas façamaquilo que queremos. Percebemos que nunca conseguiríamos treinaros pingüins. Eles não são animais domésticos. Não dá para irpara a Antártica e mexer naquele habitat. É um ambiente delicado" Miller pretende retomar o projeto Mad Max. Só que MelGibson parece não estar mais nos seus planos. "Passou o tempo emque Mel (Gibson) poderia estar nele. Acho que a últimaoportunidade foi há cerca de quatro anos e você sabe que opersonagem é esguio e esfomeado. Ele tinha 21 anos quandointerpretou Mad Max pela primeira vez e agora está nos 50 anos.Também acho que ele está mais interessado no que acontece atrásdas câmeras do que na frente." Happy Feet - O Pingüim. (Happy Feet, Austrália/EUA, 87min.) - Animação. Dir. George Miller. Livre. Cotação: Bom

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