Estréia ganha aplausos dos faxineiros

A primeira exibição de Uma História de Futebol ocorreu no Festival de Brasília de 1998. Nervoso, Machline pediu para rever o filme de manhã. O pessoal da faxina estava limpando a sala e quando o curta acabou todos os faxineiros começaram a aplaudirA possibilidade de Uma História de Futebol de Paulo Machline concorrer ao Oscar foi aberta por ele ter vencido o Festival de Curtas de Nova York, que dá direito a uma credencial para a Academia. Mas, sua inscrição foi feita quase por acaso. "Recebi o prêmio dia 15 de novembro de 2000 e as inscrições para o Oscar haviam terminado no dia 1.º do mesmo mês." A diretora do Festival de Nova York gostou do curta e o avisou que ele poderia fazer a inscrição para o Oscar 2001, pois ainda estaria dentro da validade. "Mas era meu filme de estréia e eu não acreditava que valesse a pena. Fiz o maior corpo mole para buscar a credencial."Ela ficou esquecida na gaveta, até que, quando o prazo para a inscrição estava chegando ao fim, a mesma diretora ligou para Machline. "Você não está entendendo. Seu curta tem boas chances e você tem de vir aqui pegar a credencial e inscrever-se." Ele acabou seguindo o conselho.Agora, toda a expectativa está voltada para a entrega do Oscar, dia 25 de março. Machline não quer alimentar esperanças, mas a verdade é que seu curta tem grandes chances. Primeiro, tem crianças como tema central e a Academia já deu provas de que adora filmes estrangeiros com esse ingrediente. Basta citar Kolya, A Vida É Bela, Minha Vida de Cachorro e Fanny e Alexander. De quebra, Pelé foi responsável pela introdução do futebol nos EUA e é bem conhecido por lá. E há que se considerar ainda a boa estrela do Rei do Futebol, um homem com sina de vencedor.Ganhando ou não, a simples presença de um curta brasileiro no Oscar já chama a atenção para a produção nacional, pouco vista (por puro preconceito dos cinemas e da TV), mas da mais alta qualidade. Dias atrás, o curta O Branco, de Liliana Sulzbach, recebeu menção honrosa no Festival de Berlim. No ano passado, o Brasil atingiu a marca recorde de 121 curtas.A primeira exibição de Uma História de Futebol ocorreu no Festival de Brasília de 1998. Nervoso por estar prestes a ser visto pela nata da crítica brasileira, ele pediu para rever o filme de manhã cedo. Era para ser uma sessão exclusiva, mas o pessoal da faxina estava limpando a sala e parou para ver o filme. "Quase chorei quando o curta acabou e todos os faxineiros começaram a aplaudir", lembra. "Foi quando senti que o filme poderia ir bem."Machline saiu de Brasília com o prêmio do público de melhor filme e trilha sonora de Marcelo Zarvos. No Festival de Gramado de 1999, ganhou o prêmio especial do júri. No Grande Prêmio Cinema Brasil de 2000, levou o de melhor curta. No exterior, foi melhor curta na Índia, menção honrosa em Chicago e melhor filme no Bam Kids, em Nova York.

Agencia Estado,

21 de fevereiro de 2001 | 18h45

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