Estréia filme estrelado por Hugh Grant e Drew Barrymore

Os adolescentes que assistirem a Letra e Música, que estréia nesta sexta-feira, 2, no País, provavelmente não entenderão quando, no início do filme, um casal mais velho soltar risos descontrolados na fileira de trás, enquanto a cena, para eles, não é "aquilo tudo". A nova comédia do diretor Marc Lawrence (Amor à Segunda Vista) fala sobre um músico esquecido dos anos 80 e, por isso, inicia o filme com um clipe típico daquela década. Impossível descrever o resultado da união de uma música melosa com roupas coloridas, mullets e uma dancinha meio aeróbica. Só quem viveu aquela década pode se lembrar e rir daquilo. Alex Fletcher, o astro esquecido em questão, é vivido por Hugh Grant. E você sabe: Hugh Grant é Hugh Grant, para o bem e para o mal. Para o bem porque o astro inglês vem se aperfeiçoando cada vez mais no estilo de comédia romântica. E para o mal porque este estilo acaba se repetindo demais. Desta vez, Grant trocou Julia Roberts (Um Lugar Chamado Notting Hill) por Drew Barrymore. Ela é Sophie Fisher, uma mulher que aparece na casa de Alex para regar suas plantas mas acaba virando a esperança do músico de voltar à ativa no ramo, ajudando-o a criar um novo hit de sucesso em 48 horas. A nova canção é um pedido de Cora Corman (Haley Bennett), uma espécie de clone budista de Britney Spears (na sua fase pré-careca destruidora de carros) com dancinhas de Backstreet Boys e N?Sync, traço este que rende uma das melhores cenas do filme, quando o casal conhece a diva pop. A partir deste ponto, o filme segue um ritmo lento, pontuado por poucas (mas boas) cenas entre o casal, que não apresenta tanta química quanto na era Julia Roberts. Enquanto a inspiração de Sophie não chega, Alex se vira apresentando seus números dançantes em parques de diversão para as quarentonas que foram suas fãs, dentre elas a própria irmã de Sophie, Rhonda (Sally Solomon, da série "3rd Rock from the Sun"), a melhor personagem coadjuvante do filme. Sátira Sophie é meio desajeitada e insegura, principalmente porque seu ex-namorado roubou sua história de vida e a transformou num best-seller mundial, irritando-a. Letra e Música também satiriza a própria indústria fonográfica mostrando como hits de sucesso do mundo pop são, na verdade, um amontoado de clichês vazios e até cafonas. Way Back Into Love, a criação de Sophie e Alex, é daqueles hits grudentos, que demoram meses para sair da cabeça. Não é das melhores comédias de Hugh Grant. Mas, aos 46 anos, o astro sabe inovar até nos roteiros mais fracos, apresentando um ar decadente e, na fase áurea, um olhar George Michael hilário e um rebolado que só mesmo vivendo nos anos 80 para entender aquele sucesso.

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