Estréia documentário sobre o vício do fast food

Para produzir o documentário Super Size Me (algo como Eu em Tamanho Extra Grande), Morgan Spurlock consumiu 5 mil calorias por dia, durante um mês. O filme, que estréia hoje nos Estados Unidos, é uma acusação aos hábitos alimentares dos americanos e à indústria de fast food. Spurlock passou 30 dias fazendo suas três refeições diárias no McDonald?s. Ele diz ter consumido 13,5 quilos de açúcar e 5,4 de gordura. Monitorado por três médicos, o cineasta experimentou todas as opções do menu da lanchonete pelo menos uma vez, aceitou porções de tamanho ?extra grande? sempre que oferecido e recusou qualquer outro tipo de comida, além da servida pela rede internacional de fast food. Resultado: engordou 11,25 quilos e ficou doente. No começo, parecia engraçado, Spurlock disse. Estufado de tanto comer na ceia de celebração do Dia de Ação de Graças em 2002, ele viu uma notícia sobre dois adolescentes que processaram o McDonald?s, alegando terem engordado e ficado doentes por causa da comida do restaurante. O que aconteceria se ele comesse apenas McDonald?s por um mês? Um ótimo filme, pensou. E os críticos concordam. O documentário de 98 minutos ganhou o prêmio de direção do Festival de Cinema de Sundance.Spurlock consegue manter o filme leve mesmo discutindo que a fast food pode ser a razão pela qual o número de americanos obesos dobrou desde 1980. Alguns momentos impressionam, como, ao verem várias fotografias, um grupo de crianças consegue reconhecer Ronald McDonald, mas não Jesus. ?Este filme é perigoso para a indústria de comida, pois mostra que comer comida industrializada com freqüência é perigoso?, disse diretor de 33 anos que vem do segundo estado americano com maior número de obesos no país, a Virgínia do Oeste. Desde que o filme ficou pronto, o McDonald?s começou a eliminar as opções ?super size? (extra grande) e está disponibilizando opções saudáveis em seu cardápio. A partir de 11 de maio, vai oferecer o McLanche Feliz para adultos, com salada e água mineral. O porta-voz da empresa, Walt Riker, afirma que as mudanças não estão relacionadas ao filme, que ele chama de ?uma distorção ?extra grande? da qualidade, opção, e variedade disponível no McDonald?s?. O filme não é sobre o McDonald?s, disse Riker, mas sobre a decisão irresponsável de Spurlock ingerir 5 mil calorias diariamente, quando o recomendado são 2,2 mil para a maioria das pessoas. Spurlock, que tinha hábitos saudáveis e a saúde classificada como excelente antes do projeto, ficou o fígado pior que de um alcoólatra e levou 14 meses para voltar a seu peso normal. ?Eu vejo meu filme como uma previsão. O que aconteceu comigo nesses 30 dias poderia acontecer com as outras pessoas em 20, 30 anos, se elas continuarem a se alimentar como a maioria dos americanos?, disse o diretor.

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