ESTREIA-Comédia 'Killer Joe' retrata assassino lidando com família disfuncional

Em "Killer Joe - Matador de Aluguel", o cineasta norte-americano William Friedkin retoma a obra do dramaturgo Tracy Letts, a quem já havia adaptado em seu filme anterior "Possuídos" (2006).

Reuters

07 de março de 2013 | 12h32

O personagem-título, interpretado por Matthew McConaughey, veste-se de preto dos pés à cabeça -o que inclui o par de botas e o chapéu de caubói- e trabalha como policial, mas fatura mesmo como assassino profissional.

Com o tempo, percebe-se que, para ele, matar não é apenas uma forma de engordar o orçamento, mas uma forma de sentir um prazer perverso.

Cada um dos personagens, mais cedo ou mais tarde, revela-se o perfeito idiota -ninguém está a salvo, nem mesmo o protagonista, que ganha o nome de guerra de Killer Joe.

Tudo começa a dar errado quando é contratado por Chris (Emile Hirsch) para matar sua mãe, para que ele, seu pai, Ansel (Thomas Haden Church) e a irmã, Dottie (Juno Temple), recebam o seguro de vida e Chris possa saldar suas dívidas.

A rede de equívocos que amarra cada um dos membros dessa família disfuncional ao matador, e, consequentemente, sela o seu destino passa também por Sharla (Gina Gershon), a nova mulher de Ansel, que também pretende receber sua parte do bolo.

Joe é uma presença forte na tela e na trama o que, muitas vezes, ofusca os demais personagens, deixando claro o que eles são: coadjuvantes.

Desde sua primeira encenação, nos anos de 1990, "Killer Joe - Matador de aluguel" é classificada como comédia - de humor negro, é claro. A força do longa está no enredo e nas situações cada vez mais insólitas da trama. O filme tem seus momentos engraçados e desperta alguns risos, mas muitos deles, amarelos.

"Possuídos" se resumia a dois personagens num único cenário, onde sua paranoia se materializava. O diretor Friedkin apropriou-se bem do cenário claustrofóbico e extraiu boas interpretações de seus atores, Ashley Judd e Michael Shannon.

Aqui, o experiente cineasta tenta fugir da estrutura teatral, mas o texto -mais do que a ação- domina o filme. Além disso, Friedkin nem sempre lida bem com os excessos (menos seria mais, neste caso).

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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