ESTRÉIA-Comédia 'Agente 117' leva espião francês ao Egito

Embora o espião James Bond tenha setornado bem mais famoso, na verdade, ele não foi o primeiro. Oespião mais antigo da literatura de consumo é o francês OSS117. Inventado em 1949 por Jean Bruce, o personagem OSS 117frequentou nada menos que 265 livros, estrelou sete filmes comdiferentes atores, entre 1956 e 1970, mas limitou-se a umsucesso em sua própria terra. O Bond de Ian Fleming, nascido em "Cassino Royale" (1953),rompeu fronteiras e tornou-se protagonista de uma das maisbem-sucedidas franquias do mundo. Os franceses estão investindo novamente numa tentativa detornar seu próprio espião mais famoso. O esforço começa em"Agente 117", de Michel Hazanavicius, uma aventura que se passano Cairo de 1955, às vésperas da grande crise do canal de Suez. O filme entra em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro, BeloHorizonte e Brasília na sexta-feira. O agente 117, na verdade, tem um nome sonoro -- HubertBonisseur de la Bath (Jean Dujardin). Ele até é um sujeitofino, que adora beber vinhos caros e vestir smoking. Mas suafalta de sutileza e de percepção de diferenças culturais vãorender-lhe mais incidentes internacionais do que a soluçãodeles. O agente é um espião dos mais desastrados e incompetentes,o que o aproxima espiritualmente também de outro espião famoso,o agente 86 (que vem sendo reciclado, igualmente, no cinemanorte-americano). Hubert vai ao Egito em busca de um colega desaparecido emmissão, Jack (Philippe Lefebvre), que administrava uma granja,como fachada de suas atividades secretas. Sua secretária, Larmina (Berenice Bejo), vai ser o contatode Hubert com esse novo mundo e também o alvo das piadasmachistas e politicamente incorretas do mais novo espião nopedaço. O agente 117, na verdade, pratica uma imperdoável gafecontra os muçulmanos ao interromper a tradicional prece matinalde um pregador, o "muezzin", quebrando o alto-falante que adivulgava para a cidade -- e tudo isto apenas porque o espiãoqueria dormir até mais tarde. Tal como nas aventuras de James Bond, mostra-se diversosenvolvimentos românticos do vaidoso agente. Como o que mantémcom a princesa Al Tarouk (Aure Atika), que se diz sobrinha dorei Farouk, o soberano deposto do Egito, mas abre mão de todoardor patriótico, não resistindo ao charme do francês toda vezque seus caminhos se cruzam. Comédias são, como se sabe, um gênero difícil de viajar semproblemas. Muito do humor do filme é muito especificamentefrancês. Uma nova chance de dialogar com as platéiasbrasileiras, em todo caso, já está sendo preparada. A novaaventura do agente será ambientada no Brasil, no filme "OSS117: Rio ne Repond Plus". (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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